31 janeiro, 2009

No Times de hoje #91

It's Theirs And They're Not Apologizing, o artigo do Times de hoje que fala dos bonus pagos aos executivos financeiros em Wall Street no final de 2008. O valor terá rondado os $18 biliões, numa altura em que os mercados já andavam pelas ruas da amargura. Claro que os políticos (aqui e em todo o lugar) se aproveitam da situação chamando-a imoral e perversa e que estamos a falar de uma cambada de ladrões... afinal de contas é isso que vende jornais e os políticos, acima de tudo, querem melhorar os seus índices de popularidade. Por seu lado, os ditos executivos dizem que para o cidadão comum (Main Street) bonus significa prémio ou prenda, enquanto que nos mercados financeiros (Wall Street) é parte da compensação laboral pelo que eles não estão a roubar nada a ninguém. Até podem ter razão, se bem que eu não acredito que seja tudo apenas uma questão de semântica. Trata-se de saber como são os contratos destes individuos, porque no fim de contas é tudo uma questão de incentivos. Há duas hipóteses: #1 os bonus estão ligados ao resultado dos fundos de investimento geridos, pelo que correctamente são chamados bonus; #2 os bonus são ligados a uma medida subjectiva dos resultados (por exemplo, expectativas de resultados em determinada altura do ano), pelo que são pagos irrespectivamente do resultado, devendo por isso ser chamados salários e não bonus. O problema é que ninguém tem acesso a estes contratos. Fica a foto da semana, não do New York Times mas circulada por email, acompanhada da legenda desde que veio a crise financeira já não consigo dormir bem :-)
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Mais um exemplo de incentivos a funcionar. As autoridades da California já há anos que tentam convencer os seus habitantes a consumir menos energia, oferecendo descontos a consumidores que investissem em electrodomésticos de baixo consumo. Em vão. Desde Abril, 35,000 consumidores seleccionados aleatoriamente receberam a factura mensal não só com o consumo próprio, mas também com o consumo relativo dos vizinhos (com casas e agregados familiares semelhantes) e ainda a comparação do seu consumo com o dos 20 consumidores mais eficientes na poupança energética. E não é que resultou?!

Foi neste dia #115 (1865)

... que a Câmara dos Representantes passou a décima terceira emenda constitucional que aboliu a escravatura nos Estados Unidos. Anunciado há 144 anos no New York Times.

Parece que estou a ouvir #76

Last night at the Station Inn (the Nashville bar with bluegrass music 7 days a week) in between a couple of songs:

Head of the band [raising his hand] Anyone here been to jail?
Man in the next table [raising his hand] Yeah I been to jail!
Head of the band Good! All is well...
Me [thinking] visiting?? :-))

Another memorable moment was a marriage proposal from a true bluegrass fan... granted. Quite an eventful night!
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I'm just here to get my baby out o'jail
Lyrics & Music by Karl Davis, Harty Taylor

I'm not in this town to stay
Said a lady old and grey
I'm just here to get my baby out of jail
Yes, warden, I'm just here to get my baby out of jail

I will wash all your clothes
I will scrub all your clothes
If that will get my baby out of jail
Yes, warden, I'm just here to get my baby out of jail

I will pawn you my watch
I will pawn you my chain
I will pawn you my gold diamond ring
Yes, warden, I'm just here to get my baby out of jail

When those gates swung wide apart
She held her darling to her heart
She kissed kissed her baby boy and then she died
Yes, warden, in the arms of her dear boy there she died
Yes, warden, in the arms of her dear boy there she died

28 janeiro, 2009

Ditto #106

The creator of the universe works in mysterious ways. But he uses a base ten counting system and likes round numbers.

- Scott Adams

Memórias #29


Deve ter sido há uns 15 anos que fui pela primeira vez ao Teatro Inglês na Estrela para ver a peça The Importance of Being Earnest. Foi uma excitação quando soubemos que o professor de Inglês nos levaria lá, que os actores falariam em inglês e que, obviamente, não haveria legendas. Na altura eu não conhecia a peça, e fiquei agradavelmente surpreendida com o enredo. É por isso sempre um prazer rever as peças de Oscar Wilde, mesmo em filme. The Importance of being Earnest (2002) mostra de forma cómica as aldrabices de dois individuos que se fazem passar por Ernestos (e honestos), sem o ser. E depois há as passagens inesquecíveis como só Oscar Wilde escreveu.

Lady Bracknell [Pencil and note-book in hand] (…) Do you smoke?
Jack Well, yes, I must admit I smoke.
Lady Bracknell I am glad to hear it. A man should always have an occupation of some kind. There are far too many idle men in London as it is.

27 janeiro, 2009

Numa sala perto de mim #74

A Short film about love (1988) by Kieslowski... short, slow, simple, pure, moving.

Untamed Azores...

... São Miguel, Faial, Pico, São Jorge, four out of nine islands of the Azores in the travel channel. They escaped the touristy places and went to eat with the locals... sometimes in places as remote as Fajã do Santo Cristo. It's a mix of the travel & food show that starts with the immigrant communities of Azoreans in Massachusetts. COOL!

26 janeiro, 2009

Num país a fingir # 31

São assaltadas caixas multibanco dentro dos Tribunais. Ao Ministro não cabe comentar esses factos.
Mas tem de se agir. Como? Rápido: Retiram-se as caixas multibanco dos Tribunais, pois então!!!!
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Isto é que são medidas com resultados: Vai uma apostinha em como não há mais assaltos a caixas multibanco dentro dos Tribunais?!

Num país a fingir # 30

Vendem-se canivetes em prisões de alta segurança.

Coisas que não mudam #82

Bluegrass music is @ the Station Inn... bring a guitar and join the jam. Here's a little flavor.

25 janeiro, 2009

Num país a fingir # 29

O Ministro das Finanças diz: "Não há GPS para a crise, temos de nos guiar pelas estrelas, o problema são as nuvens".
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Sr. Ministro, já estou por tudo, se o ajudar aqui fica um link

24 janeiro, 2009

Palavras lidas #70

Vejo em certas imagens (por exemplo o mar que reflecte os raios oblíquos do pôr do sol em fim de tarde), em certas passagens musicais (por exemplo da banda sonora de Good Bye Lenin), ou em certas peças de prosa (por exemplo Pessoa, abaixo), marcados aspectos de poesia.
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Há um significado subtil nas coisas, uma analogia grotesca entre as suas almas perante a qual a nossa razão treme. Mas nas faculdades superiores do homem é ainda o instinto que predomina - elas são ainda instintos - e alguns dos homens chamados loucos, ou talvez maníacos e sonhadores, vêem as coisas na intimidade da sua essência e por isso sofrem amaldiçoados. Quando um pobre maníaco tem medo da maçaneta de uma porta; quando outro desmaia ao ouvir pronunciar ou ao ver escrita uma determinada palavra, ou ao sentir determinado odor, quem sabe se ele não vê mais do que os outros homens, penetrando na alma dessas coisas? (...)

Decerto uma maçaneta de porta, ou qualquer palavra que se pornuncie ou escreva, ou qualquer cheiro não é, tal como o vemos, algo que provoque medo. Se uma pessoa encontra nisso algo que recear, é óbvio que o vê de modo diferente de nós. Respondereis que a diferença está na pessoa, que o objecto tal como ela o vê está nessa pessoa? Eu riposto que da mesma maneira o objecto tal como nós o vemos está em nós. Prova-o a ciência, prova-o o raciocínio. Cor, peso, luz, som - tudo é relativo. Forma, tempo, espaço - são também relativos. Não existem coisas, mas coisas sentidas.

Alexander Search, A Porta

Processo de produção

Isto é fundamental!

Parta o chocolate negro em pedaços. Recomendamos 100g de chocolate para 1 litro de bebida de chocolate. A quantidade de chocolate pode ser alterada a gosto. Quanto mais pequenos forem os pedaços de chocolate, mais depressa se misturam com o leite. Também pode ralar o chocolate.

Coloque os pedaços de chocolate no jarro de vidro e acrescente o leite quente (não a ferver), mas sem ultrapassar a marca máxima.

Feche o jarro com a tampa até a abertura ficar selada. Segure a pega do jarro com uma mão e com a outra segure o botão. Levante e baixe o botão com movimentos regulares. O chocolate mistura-se com o leite através da rotação da hélice.

Assim que o chocolate esteja bem misturado com o leite, rode a tampa até ver a abertura. A bebida de chocolate está pronta a servir!

Caprichos #83

Compras online... recentemente comprei na amazon uma chocolateira e a banda sonora do filme Good bye Lenin. Hoje ao pequeno almoço pus tudo a funcionar: vejo as notícias online, enquanto bebo chocolate quente e como torradas, tudo acompanhado de boa música, com 0 graus lá fora... hmmm :)

22 janeiro, 2009

Da minha torre de Narciso

Ao sol, ao vento, à música, levanto
Esta voz que não tenho. A Deus imponho
A obrigação de me escutar o canto
E entender o que digo e o que sonho.

A mim me desafio. Aos outros ponho
A condição de me odiarem tanto
Que não descubram nunca o que suponho
O meu secreto e decisivo encanto.

Contra o que sou me guardo e quando oiço
Falar do que pareço, posso então
Encher o peito de desprezo e riso.

Pois só eu me conheço e só eu posso
Subir até àquela solidão
Onde me incenso, amo e realizo.

(José Carlos Ary dos Santos)

21 janeiro, 2009

Parece que estou a ouvir #75

Entre Fevereiro e Maio, Mariza vai estar em digressão pela América do Norte. A excitação de ver um(a) artista nacional actuar no estrangeiro é sempre enorme e assim que foi anunciado que Mariza estaria por cá (e por todo o lado, com 46 concertos num tão curto espaço de tempo!) recebi de imediato um email de uma amiga que freneticamente escreveu

"se puderem nao percam! It's worth every penny!"

Eu concordo. Canta bem. É uma música com mensagem e passado. É o que se quer! No entanto, resisti em comprar bilhetes imediatamente. Apesar de gostar de Mariza, sempre que oiço fado tenho a Amália no pensamento e qualquer outra actuação sabe sempre a pouco... Amália arrepia. Foi ao falar com um amigo Italiano (que não sabe quem é a Mariza, nem a Amália, nem nunca ouviu fado) que me decidi a seguir o primeiro impulso. Ao que parece, ele ficou bastante bem impressionado com o que descrevi acerca do fado, com os poucos registos que ouviu de Amália e Mariza directamente do meu itunes, e com aquilo que viu online sobre a Mariza. Ficou tão entusiasmado que mesmo antes de eu sugerir disse que queria ir ao concerto e que deviamos comprar os bilhetes imediatamente para que não esgotassem. Eu fiquei naquela do

"por aqui não esgota... não há Portugueses! Certamente esgotará em Massachusetts, Nova Iorque, Toronto ou Vancouver."

Mas ele não quis arriscar e disse que há muita gente que nunca ouviu falar dela ou de fado, mas que gosta de ouvir boa música e especialmente talento. Que se as pessoas fizessem um google, um youtube, ou um wikipedia na Mariza, ficariam curiosas e iriam comprar os bilhetes num ápice... então aqui na cidade da música! Que em Itália não há música de tamanha qualidade e com tanta tradição, para além da ópera, claro. Lá comprei os bilhetes e a ver vamos. Esperemos por 9 de Março!

Entretanto calhou em conversa com outra pessoa (desta vez do Canadá) mencionar que uma artista portuguesa viria cá a 9 de Março. Quis saber mais. Desta vez dei uma breve descrição e disse que lhe enviaria uns links para ver se ele estaria interessado no estilo de música em causa. Se não gostar no youtube, provavelmente não irá gostar ao vivo pelo que escusa de gastar dinheiro.

Encontrei dois registos de Lisboa não sejas Francesa, separados por pouco menos de 40 anos: Amália em 1969 e Mariza em 2008. Gostei das duas excelentes interpretações. Para não o induzir em erro disse-lhe que um fado não é, em geral, uma canção tão alegre como soa naqueles videos, pelo que este registo estava bem mais perto do que se poderia esperar em concerto.

O que acho fenomenal nestes e noutros fados vai para além do desempenho vocal e instrumental, mas prende-se com os poemas que tanto têm para dizer... precioso detalhe que se perde em Italianos ou Canadianos.
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Lisboa não sejas francesa

Letra e Música: José Galhardo e Raul Ferrão

Não namores os franceses
Menina, Lisboa,
Portugal é meigo às vezes
Mas certas coisas não perdoa
Vê-te bem no espelho
Desse honrado velho
Que o seu belo exemplo atrai
Vai, segue o seu leal conselho
Não dês desgostos ao teu pai

Lisboa não sejas francesa
Com toda a certeza
Não vais ser feliz
Lisboa, que ideia daninha
Vaidosa, alfacinha,
Casar com Paris
Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados,
Com as almas na voz
Lisboa, não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só p'ra nós

Tens amor às lindas fardas
Menina, Lisboa,
Vê lá bem p'ra quem te guardas
Donzela sem recato, enjoa
Tens aí tenentes,
Bravos e valentes,
Nados e criados cá,
Vá, tenha modos mais decentes
Menina caprichosa e má!

Lisboa não sejas francesa (...)

Palavras lidas # 69

Com pouca coisa de importante para fazer, fartámo-nos de passear. Ainda tentámos pescar junto às águas do porto, mas não apanhámos nem um peixe para amostra. A falta de peixe não era aqui problema: acontecia que a água era demasiado límpida e os peixes conseguiam ver, lá do fundo, onde ficava o anzol, a cara do pescador. Só um peixe muito estúpido, para se deixar apanhar daquela maneira.

(Os gatos comedores de homens. Pág. 153)

Espantos #165

Blue Jays e Cardinals. Ultimamente têm aparecido no arbusto do lado de fora da minha janela. As cores fortes chamam a atenção... páro o que estou a fazer e fico a observá-los.  Acho-os girissimos! Uma breve pesquisa online revela duas coisas interessantes:

(1) tal como os cisnes, os blue jays são monógamos, ou seja, acasalam para toda a vida;

(2) o cardinal vermelho é forçosamente macho, as fêmeas nunca passarão do vulgar castanho... trata-se de disformismo sexual, o que em biologia se refere à ocorrência de características físicas (não associadas ao género) marcadamente diferentes em machos e fêmeas da mesma espécie.

Sempre a aprender!

Espantos #164

International Green Week Food and Agriculture Trade Fair going on in Berlin this week. Picture from Time.

20 janeiro, 2009

Coisas que não mudam #81

Inauguration speeches with memorable passages:

“I am certain that my fellow Americans expect that on my induction into the Presidency I will address them with a candor and a decision which the present situation of our people impel. This is preeminently the time to speak the truth, the whole truth, frankly and boldly. Nor need we shrink from honestly facing conditions in our country today. This great Nation will endure as it has endured, will revive and will prosper. So, first of all, let me assert my firm belief that
the only thing we have to fear is fear itself—nameless, unreasoning, unjustified terror which paralyzes needed efforts to convert retreat into advance. In every dark hour of our national life a leadership of frankness and vigor has met with that understanding and support of the people themselves which is essential to victory. I am convinced that you will again give that support to leadership in these critical days.” (…)

Franklin D. Roosevelt, Inaugural address on March 4, 1933
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(…) “In the long history of the world, only a few generations have been granted the role of defending freedom in its hour of maximum danger. I do not shank from this responsibility - I welcome it. I do not believe that any of us would exchange places with any other people or any other generation. The energy, the faith, the devotion which we bring to this endeavour will light our country and all who serve it -- and the glow from that fire can truly light the world.

And so, my fellow Americans:
ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country.“(…)

John F. Kennedy, Inaugural address on January 20, 1961
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(…) “The time has come to reaffirm our enduring spirit, to choose our better history, to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that
all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.” (…)

Barack H. Obama, Inaugural address on January 20, 2009

Foi neste dia # 114 (2009)



19 janeiro, 2009

Palavras lidas #68*

[Captain Wentworth's letter to Anne Elliot]

"I can listen no longer in silence. I must speak to you by such means as are within my reach. You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in
F. W.

I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father's house this evening or never."

— Jane Austen, Persuasion

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* ou ouvidas em filme :)

Numa sala perto de mim #73

Gosford Park, a portrait of the stratified British aristocratic society in which the divide between servants and lord-ladyships was very apparent. Crossing over was met with silence on one side, and with ridicule on the other. Robert Altman's mastery in juggling the complex set of characters in the murder-mystery set is remarkable. The objective is not the obvious discovery of who the murderer was... the intricate social interactions are far more appealing! And of course, there are the indispensible witty moments.
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[Morris Weissman is asked about his upcoming movie project]

Lady Sylvia McCordle Mr Weissman.
Morris Weissman Yes?
Lady Sylvia McCordle Tell us about the film you're going to make.
Morris Weissman Oh, sure. It's called "Charlie Chan In London". It's a detective story.
Mabel Nesbitt Set in London?
Morris Weissman Well, not really. Most of it takes place at a shooting party in a country house. sort of like this one, actually. Murder in the middle of the night, a lot of guests for the weekend, everyone's a suspect. You know, that sort of thing.
Constance How horrid. And who turns out to have done it?
Morris Weissman Oh, I couldn't tell you that. It would spoil it for you.
Constance Oh, but none of us will see it.

18 janeiro, 2009

Ditto #105

No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel.

Fernando Pessoa, Aforismos e Afins
(edição e prefácio de Richard Zenith, tradução de Manuela Rocha)

17 janeiro, 2009

It's an ABSURD SCANDAL...

... what's going on in Zimbabwe these days: under the regime of Mr. Mugabe, the health system has now collapsed. The country is a living hell. What does Mugabe say about it? Not much other than “I will never, never, never surrender... Zimbabwe is mine.” A shame for the millions of people living under his rule. The current state of affairs has been sadly announced and it only surprises the world by the fast rate of decay.

Mugabe may well think he'll never never never leave. And he is right to think so: the military are still faithful (likely still being paid),
neighboring countries are cowardly following the don't ask don't tell policy, the International community still invites him for summits while imposing sanctions that would make any ruler break down and give up power. This is no regular ruler, but a rather ruthless dictator. He clearly does give a damn if the whole country dies. He cares for power, and power alone.

But Mugabe will die... like everybody else. I see two alternatives only: either he dies of old age (he's 84) if he has enough cash to support the tiny faithful microsystem of staff and military around him, while the rest of the country rots; or he doesn't die of old age but finds death sometime sooner. Accidentally or not. For the Zimbabweans, let's hope it's sooner than later.

No Times de hoje #90


O artigo After Splash, Nerves, Heroics and Comedy vai para além da descrição da tragédia do voo da US Airways na quinta-feira passada. Centra-se essencialmente nas experiências dos passageiros para sair do avião num curtissimo espaço de tempo. E dei comigo a pensar em duas coisas:

#1 Como reagiria eu numa situação de emergência idêntica? Será que deixaria o sobretudo para trás num dia de frio como aquele? A mochila com o computador? Pegaria na almofada do assento para usar como bóia como já ouvi centenas de vezes?

#2 Como a índole de cada um se manifesta em alturas de aflição. Há os que saem o mais depressa possível, cumprindo ordens. E há os que também saem, mas ajudando quem mais precisa. Em situação de aflição talvez não sejam muitos aqueles que escolham fazer o que está certo... eu não sei como reagiria.

Aqui o link para o vídeo dos acontecimentos em tempo real.
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Martin Sosa, 48, who lives in the West Village and was traveling with his wife and two young children, recalled thinking, “O.K., so you survived the impact, now you are going to drown.” He added, “The plane is slowly sinking and there’s no movement to the outside.”
Inside, as if heeding one collective thought, everyone moved to the rear of the cabin, only to find the exit doors there locked tight and water rising as the tail dipped below the surface.
“If that door opened, everything would go under,” said Brad Wentzell, 31, a patio-door salesman from Charlotte, the flight’s destination. The crowd turned and began moving up the aisle all at once.
“Everybody’s blocking everybody off and there’s a woman and a child,” Mr. Wentzell said. “She’s screaming that people were blocking them off.”
The woman was Mr. Sosa’s wife, Tess, who was carrying their 9-month-old son, Damian. Mr. Sosa was with their 4-year-old, Sofia. “People were just saying, ‘Move, move, move!’” he recalled. “Some people were actually gracious enough to let me go by with a child and kind of move my way up.”
But his wife was having a more difficult time, and finally began trying to crawl over the backs of seats. “She didn’t want to get crushed by the stampede,” her husband said. Another passenger heard someone cry, “Get the baby out!”

Numa sala perto de mim #72

Rever a Idade da Inocência de Martin Scorsese é readmirar a excelente interpretação de Daniel Day Lewis e Michelle Pfeiffer, a história, a época, os cenários, os vestidos, as cores, a música e a cinematografia de um filme que, apesar de ser de 1993, poderia ter sido feito hoje: é difícil imaginar como poderia ser melhor... é perfeito. Depois há ainda as passagens que ficam na memória:

It was widely known in New York, but never acknowledged, that Americans want to get away from amusement even more quickly than they want to get to it.

Newland You gave me my first glimpse of a real life and then you told me to carry on with the false one.  No one can endure that.
Ellen I’m enduring it.

16 janeiro, 2009

Espantos #163

A Economist desta semana refere um estudo estatístico interessante. Aparentemente o rendimento dos correctores financeiros está positivamente relacionado com e os níveis de testosterona a que foram expostos antes de nascerem. Este ultimo factor manifesta-se em dedos anelares mais compridos que os indicadores. Apesar de correlação não significar causalidade, fui verificar os meus dedos e fiquei com alguma pena de não ter seguido carreira na bolsa...

tanto por causa da mão direita,

como da mão esquerda!

15 janeiro, 2009

Espantos #162

Um airbus cai no Rio Hudson, ao largo de Manhattan, com 155 pessoas a bordo. Os passageiros resgatados com vida (ao que parece, todos) enfrentaram temperaturas de -10.º C.

14 janeiro, 2009

Caprichos #81

vem aí mais friii...

Numa sala perto de mim #71


Freedom Song, portrays the civil rights movement in 1961 Mississippi, in the deep South. And thinking so many people today are still imprisoned in those times...

This little light of mine
I'm gonna let it shine

13 janeiro, 2009

Espantos #161

Há olhos da cor destes brincos! Também fazem lembrar o bejeweled :)

12 janeiro, 2009

Retirado do contexto # 74


So when the fight is over,*
And the storm is through,
Now will you pick another?
What will you get into?


*E, ano novo, vida nova :)

11 janeiro, 2009

Espantos #160

Relógios que trabalham sem corda e sem pilha.

Então é assim. Tenho um relógio novo. Não o comprei, foi-me oferecido.  Não pela minha irmã desta vez, mas pela swatch que me enviou um relógio surpresa na compra de um outro que me foi oferecido no verão. Este novo relógio, que só vi agora quando fui a Portugal pelas festas, parece normal e igual aos outros. Até é engraçado. Usei-o logo lá em certo dia (acertei-o, pu-lo a trabalhar e pus no pulso) e só nesse dia. Trouxe-o comigo e hoje quando o fui usar outra vez reparei que estava parado... maaaau, com a sorte que tenho com relógios pensei que já o tinha estragado por qualquer razão não aparente.

Peguei nele, acertei-o novamente coloquei a carrapeta para dentro e o ponteiro dos segundos começou a rodar. Não pode ser da pilha porque o relógio é novo. De qualquer forma virei o relógio para ver o tipo de pilha. Procurei, procurei, mas pilha nada. Não devo estar a ver bem. Há uma estrutura de meio círculo que anda à volta e oculta o mecanismo do relógio por trás.


Rodo, rodo mais uma vez e vejo que a pilha não está ocultada... simplesmente não está lá! Mas como pode ser isto... sem corda e sem pilha como é que o relógio funciona? E parece estar a funcionar depois de eu o ter acertado e de andar a rodá-lo à procura da pilha. Por isso ponho-o no pulso e sigo caminho. Chegada ao gabinete ligo o computador e procuro no google "batteryless watches"... e então fez-se luz.  

A techonolgia é relativamente recente, mas os relógios funcionam mesmo sem pilha. A energia para o funcionamento vem directamente do movimento do braço do utente. Há um peso circular que mexe com os movimentos da pessoa. A energia desse peso é acumulada e faz andar o mecanismo do relógio. Quando se tira do pulso, e quando a energia acumulada acaba, o relógio pára.

Espertinhos!!

No Times de hoje #89


Não sei se já contribui há um tempo, mas só hoje vi o artigo de opinião de Bono no New York Times. Tratando-se de um filósofo, a fluência de ideias é clara, mas nem sempre em linha recta.  Achei particularmente especial a ligação que faz entre o actual tempo de crise generalizada e a canção de Frank Sinatra My Way. Não era certamente a mensagem que queria passar, mas pensei que uma canção audaz de desafio poderia servir de motivação para atravessar as dificuldades. Mais para o fim do artigo no entanto, Bono fala de duas das versões de My Way que Sinatra gravou em 1969 (com 54 anos) e em 1993 (com 78 anos). A música e a letra são as mesmas, mas em 24 anos a audácia transformou-se em pedido de desculpas numa voz que o tempo adoçou com sentimentalidade. Fica um excerto.
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(...) There’s a voice on the speakers that wakes everyone out of the moment: it’s Frank Sinatra singing “My Way.” His ode to defiance is four decades old this year and everyone sings along for a lifetime of reasons. I am struck by the one quality his voice lacks: Sentimentality.
Is this knotted fist of a voice a clue to the next year? In the mist of uncertainty in your business life, your love life, your life life, why is Sinatra’s voice such a foghorn — such confidence in nervous times allowing you romance but knocking your rose-tinted glasses off your nose, if you get too carried away.
(...)
Like Bob Dylan’s, Nina Simone’s, Pavarotti’s, Sinatra’s voice is improved by age, by years spent fermenting in cracked and whiskeyed oak barrels. As a communicator, hitting the notes is only part of the story, of course.
Singers, more than other musicians, depend on what they know — as opposed to what they don’t want to know about the world. While there is a danger in this — the loss of naïveté, for instance, which holds its own certain power — interpretive skills generally gain in the course of a life well abused.
Want an example? Here’s an example. Take two of the versions of Sinatra singing “My Way.”
The first was recorded in 1969 (...) In this reading, the song is a boast — more kiss-off than send-off — embodying all the machismo a man can muster about the mistakes he’s made on the way from here to everywhere.
In the later recording, Frank is 78. The Nelson Riddle arrangement is the same, the words and melody are exactly the same, but this time the song has become a heart-stopping, heartbreaking song of defeat. The singer’s hubris is out the door. (This singer, i.e. me, is in a puddle.) The song has become an apology. (...)

10 janeiro, 2009

Já em Lisboa...

À semelhança da no pants subway ride em Nova Iorque (realizada hoje pelo oivato ano consecutivo), também em Lisboa hoje se andou no metro sem calças... é o espectáculo dos eventos urbanos!