31 agosto, 2010

Parece que estou a ouvir #105

Fragile
Sting

If blood will flow when flesh and steel are one
Drying in the colour of the evening sun
Tomorrow's rain will wash the stains away
But something in our minds will always stay
Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetime's argument
That nothing comes from violence and nothing ever could
For all those born beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are

How fragile we are how fragile we are

28 agosto, 2010

Espantos #265

Os gatos têm o que querem...

Acorda!

Não ouves?!

Mas o que é que foi?

Não me apetece...

Acorda, já disse!

Mas porque é que tu és assim??

Acorda lááááá, tens de ver...

Tás a ver?

Sim, e depois?

E depois??! Olha lááá...

Deixa-me...

26 agosto, 2010

No Times de hoje #119

Can Preschoolers Be Depressed? é o artigo que hoje vem no New York Times e que alarma qualquer um. Há crianças que são diagnosticadas com depressão antes de entrarem para a escola. Com crianças, por definição ainda em fase de formação de carácter e preferências, custa ainda mais a acreditar que tal possa acontecer, mas os casos relatados não são triviais. Há 20 ou 30 anos não existiam muitas daquelas que são hoje consideradas doenças da mente e há o grande lobby dos medicamentos a considerar. No entanto sempre houve pessoas deprimidas, mesmo antes destas doenças serem consideradas como tal. O facto de haver crianças com tendências depressivas dá que pensar... adultos poderão ter sido expostos a situações externas que causaram depressão, mas crianças de 2 ou 3 anos sem experiências traumáticas?! Nesta idade de exploração do genoma humano, resta saber quanto do ser humano é pré-determinado e quanto é escolhido por cada um.
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Não no New York Times, mas na imprensa internacional e espanhola vem a notícia da descoberta de uma vala comum perto de Burgos que remonta aos tempos da guerra civil espanhola, como tantas que haverá por essa Espanha. É um país de contrastes. Por um lado há que sarar a ferida das famílias dos milhares de desaparecidos durante a guerra civil e anos seguintes às mãos da ditadura franquista, daí a aprovação da lei da memória histórica para não esquecer a negra página da história. Por outro lado, a rápida transição da ditadura para a democracia de 1978 a 1980 só foi possível com a aprovação da lei da amnistia que efectivamente coloca uma pedra sobre o passado, impedindo qualquer investigação sobre os crimes cometidos durante os 42 anos da história do país.

25 agosto, 2010

No Times de hoje #118

Mozart morreu há mais de duzentos anos em Viena, mas ainda hoje se publicam estudos em jornais académicos que investigam as possíveis causas da morte do compositor. A causa oficial declarada nos registos do arquivo da catedral de Santo Estefano em Viena foi febre dermatoide, ou seja eczema. Ora esta causa nunca foi tida por convincente, começando a especular-se publicamente sobre as possíveis alternativas cerca de um mês depois da morte de Mozart em 5 de Dezembro de 1791. Dois séculos depois já não se pretende apurar responsabilidades (até porque a tese do envenenamento foi há muito abandonada), mas tão só averiguar as verdadeiras causas de factos passados, tantas vezes mal explicados nas páginas da história. O recente artigo académico (no jornal Medical Problems of Performing Artists) organiza as várias teorias da morte de Mozart aventadas ao longo dos anos e conclui que a controvérsia irá continuar, uma vez que existem 118 causas plausíveis. Como exercício académico é um trabalho de notável investigação arquivística. No entanto, dado que o corpo foi sepultado em vala comum (como era costume para a classe média de Viena da altura), é também um trabalho inglório visto que a solução do enigma permanecerá para sempre incógnita. E com isto penso na validade de tanta investigação académica, toda ela com interesse e propósito, mas muitas vezes sem aplicação.
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Nova Iorque vota este mês uma proposta de um arranha céus da altura do Empire State Building e não muito longe deste. A apenas dois blocos na 33rd com a Sétima Avenida, o novo prédio (o tal do Vornado building) irá ocultar o Empire do skyline de Manhattan quando visto a partir de New Jersey. Apesar dos cuidados e exageros americanos nestas circunstâncias, não deixa de ser curioso o facto de vir a proposta a construção de um arranha-céus gigantesco em altura de crise imobiliária e quem sabe da maior crise desde a grande depressão. Foi também durante aquela altura que o Empire State foi construído.

Coisas que não mudam #134

Mais uma vez a Sagres. Já saíu de Xangai e segue em direcção a Díli. Desta crónica ficou-me esta passagem:

"O Governo Municipal solicitou três alterações de hábitos aos habitantes para o período da Expo: Não deitar beatas para a rua, não andar de tronco nu na rua e não sair à rua de pijama. Este último é um hábito dos mais idosos que serve para demonstrar que se pertence ao bairro e para não se ser enganado pelos comerciantes."

:-)

Conselhos úteis #10

Visitar a exposição Viajar sobre o turismo na primeira republica. No torreão nascente do Terreiro do Paço até 6 de Outubro.

24 agosto, 2010

Espantos #264

Changing classrooms in college... in one word: technology.

23 agosto, 2010

22 agosto, 2010

Parece que estou a ouvir #104

O Grito, Edvard Munch

Grito
Polo Norte

Há alturas na vida
Em que se sente o pior
Como que uma saída
Refúgio na dor

E ao olhar para trás
Pensar no que aconteceu
O que se vê não apraz
Não gritou mas escondeu

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a coragem de gritar e gritar

E é nestas alturas
Sou eu mesmo que o digo
Repensamos na falta
Que nos faz um amigo

Alguém que nos mostre a luz
E nos estenda essa mão
Diga que a vida não é cruz
Olhar para trás pedir perdão

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a a coragem de gritar e gritar

20 agosto, 2010

Ditto #159

The very purpose of existence is to reconcile the glowing opinion we have of ourselves with the appalling things that other people think about us.

--Quentin Crisp

18 agosto, 2010

Espantos #262

Hazel Soares licenciou-se em História da Arte pelo Mills College em Oakland, CA. Tem 94 anos!

16 agosto, 2010

Espantos #261

A Sagres largou ontem Seul e já se encontra a caminho de Xangai. Nesta viagem de circumnavegação, meticulosamente documentada e de acesso imediato (muito, muito obrigado!) que já passou da metade, a Sagres faz muito mais do que cumprir com os seus objectivos de escola naval e de embaixada portuguesa flutuante. A Sagres proporciona a todos os que nela flutuam, os que a encontram e visitam por esses portos longínquos, e os que lêem as crónicas online, uma experiência cultural única.

Eu nunca viajei à volta do mundo, nem sei se teria estofo para o fazer... as por vezes necessárias viagens de trabalho de três ou quatro paragens (apesar de agradáveis pela exposição a comidas, costumes, línguas, pessoas, tradições e paisagens diferentes) por vezes fazem-me ansiar por um fim de semana sossegado e sem ondas em que possa disfrutar da minha cama sem pressas, pôr a roupa a lavar sem hora marcada e vestir algo não acabado de sair de uma mala de viagem. As crónicas da Sagres para mim, têem um sabor especial. Fazem-me lembrar amigos de todo o mundo que conheci ao longo dos dez anos em que estudei e trabalhei em Nova Iorque, Boston, Nashville e Barcelona.

A Sagres já passou por portos em Portugal, Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Perú, Ecuador, México, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Em todos os posts correspondentes aprende-se não só acerca da linguagem de navegação (que confesso compreender pouco), mas também acerca das tradições e costumes de cada região, que são tão diferentes dos nossos como os nossos dos deles. Por isso, embora as diferenças por vezes choquem, sobretudo elas respeitam-se. Só quando somos expostos a estas realidades é que podemos dar esse salto. Por isso: OBRIGADO Sagres! Cá espero as crónicas futuras, especialmente sobre a China, Indonésia e Índia :-)

15 agosto, 2010

Parece que estou a ouvir #103

Vai Passar
Chico Buarque

Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval

Vai passar...


Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear

Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral...


Vai passar...
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Vai passar... aquilo que se pode dizer de tudo na vida, bom ou mau. Aqui o Vai passar de Chico... o mais belo dos sambas-enredo!

13 agosto, 2010

Caprichos #140

De manhã praia. À tarde trabalho.

12 agosto, 2010

Foi neste dia #135 (1960)


Foi há cinquenta anos o primeiro concerto dos Beatles em Liverpool.

10 agosto, 2010

No Times de hoje #117


Today's Times brings an article on Portugal's dive into the clean energy sector, started five years ago and already showing results. The objective of this series of articles is to expose examples of clean energy beyond fossil fuels and compare them to the US case, therefore it's not hard for Portugal to look good on this one.

To be fair though, it seems an impressive effort on the part of the government to achieve so much in so little time. In 2009 Portugal ranked third in wind-generated electricity output (behind Iceland and Denmark) and it's supposed to rank second (behind Denmark only) by 2025, as forecasted by IHS Emerging Energy Research, increasing its share of power fueled by renewable energy by 30 percentage points (from 21.6% to 51.4%).

Let's hope that by the time the government gets out of the clean-energy business it's still sustainable.

09 agosto, 2010

Palavras lidas #144

CIVILIZAÇÃO (p. 27)
Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas...
Os Maias

EMIGRAÇÃO (p. 36)
Em Portugal, a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre.
Uma Campanha Alegre

ESCRITA (p. 38)
Estou num destes dias de "nevoeiro cerebral", em que nunca encontro a expressão justa e precisa - e para definir o que quer que seja necessito de montões de frases.
Correspondência (1879)
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Ler Eça espanta sempre pela actualidade, pela clareza e, de vez em quando, pela passagem identificadora.

04 agosto, 2010

Foi neste dia #134 (1935)

Há 75 anos era inaugurada a Emissora Nacional. Dava-se início a um Portugal radiofónico, quinze anos depois do aparecimento dos primeiros noticiários nos EUA.

03 agosto, 2010

Palavras lidas #143

AGRICULTURA (p. 15)

A agricultura aqui (em Portugal) é a arte de assistir impassível ao trabalho da natureza.

Uma Campanha Alegre

01 agosto, 2010

Palavras lidas #142

Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saíu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruír. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.

--José Saramago, As Intermitências da Morte, p. 214