Packed life
01 junho, 2010
30 maio, 2010
Parece que estou a ouvir # 98
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
(...)
Chico Buarque
Ditto #152
29 maio, 2010
Espantos #247

O site da BP mostra um vídeo em tempo real do derrame de petróleo a ocorrer desde 20 de Abril no golfo do México. Tudo a partir de uma webcam submersa nas profundas águas do golfo ao largo da Louisiana.
28 maio, 2010
Espantos #246

Há um fabricante de chocolate em Inglaterra com cerca de 40 lojas naquele país bem como no Médio Oriente e Estados Unidos, que está a pensar expandir o negócio. Em vez de pedir dinheiro emprestado aos bancos, ou procurar grandes investidores, a empresa está a oferecer aos seus clientes uma proposta atractiva: um fundo de investimento no valor de £2,000 ou £4,000 (cerca de €2,360 ou €4,720) com os juros pagos em chocolate. A primeira hipótese oferece 6 caixas por ano, entregues ao domicilio, no valor de £107.70, e a segunda treze caixas por ano com o valor total de £233.35. O retorno do investimento varia entre os 5.39 e os 5.83%... nada mau! A empresa nem sequer tem de se preocupar com a logística da operação, uma vez que já possui um serviço de entrega de chocolates ao domicílio para mais de 100,000 clientes do seu tasting club. E viva a inovação financeira... doce!
26 maio, 2010
Ditto #151
25 maio, 2010
Palavras lidas #136
As Sandálias
Vincenzo era um frade que vivia na montanha dentro de uma gruta e não sabia ler nem escrever. Tinha acesa uma fogueira que mascarrara de fumo as paredes todas. Com a ponta de um prego riscava as pedras por baixo da pátina preta para fazer cruzinhas que brilhavam no meio da fuligem.
A quem vinha ter com ele dizia que Deus é aquilo que nos faz estar de pé. Depois beijava duas ou três folhas secas que tinha no bolso e queimava-as; se se tratava de bichos doentes, então dava umas favas que tinha numa tigela. Bebia a água da chuva que caía dentro das latas que tinha abertas fora da porta à espera que chovesse.
Quando a sua pobre mãe lhe trouxe uma camisa de lã, ficou dois dias de olhos fechados para não lhe ver a cara e com um braço erguido para o tecto fazia-lhe sinal de que só ouvia o que está lá em cima.
Um verão viram-no caminhar descalço para o alto da montanha e dentro da gruta ainda lá estão as suas sandálias à espera dele.
Tonino Guerra (1920)
O Livro das Igrejas Abandonadas
21 maio, 2010
20 maio, 2010
Palavras lidas #135
Nimbus
Mas já desce, atraído pelo poder
Da terra, o que no céu viste crescer:
Dá largas à sua fúria a trovoada,
Legiões que deixam a terra devastada!--
É o seu destino: sofrer para viver!
Mas se erguerdes os olhos ireis ver
Que a fala desce: descreve e mais nada;
O espírito, esse aspira à eterna morada.
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
O Jogo das Nuvens
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19 maio, 2010
Palavras lidas #134
Tu e eu Tu enches os meus pensamentos
Dia após dia;
Saúdo-te na solidão
Fora do mundo;
Tu tomaste posse
Da minha vida e da minha morte.
Como o sol ao nascer
A minha alma contempla-te
Com um único olhar.
És como o alto céu,
Eu sou como o mar infinito
Com a lua cheia no meio;
Estás sempre em paz,
Eu estou sempre inquieto,
Embora no horizonte distante
Nos encontremos sempre.
Rabindranath Tagore (1861-1941)
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11 maio, 2010
09 maio, 2010
08 maio, 2010
07 maio, 2010
05 maio, 2010
Palavras lidas #133
- Fermín - le corté -. ¿De qué demonios está usted hablando?
- De su novia.
- Yo no tengo novia, Fermín.
- Bueno, ahora ustedes los jóvenes a eso lo llaman cualquier cosa, "güirlifrend" o...
- Fermín, rebobine. ¿De qué está hablando?
Fermín Romero de Torres me miró desconcertado, juntando los dedos de una mano y gesticulando al uso siciliano.
- A ver. Esta tarde, hará cosa de una hora o hora y media, una señorita de bandera pasó por aquí y preguntó por usted. Su padre de usted y servidor estábamos de cuerpo presente y le puedo asegurar sin lugar a dudas que la muchacha no tenía las pintas de ser un aparecido. Le podría describir a usted hasta el olor. A lavanda, pero más dulce. Como un bollito recién hecho.
- ¿Dijo acaso el bollito que era mi novia?
- Así, con todas las palabras no, pero sonrió como de refilón, ya sabe usted, y dijo que le esperaba el viernes por la tarde. Nosotros nos limitamos a sumar dos y dos.
- Bea... - murmuré yo.
- Ergo, existe - apuntó Fermín, aliviado.
- Sí, pero no es mi novia - dije.
- Pues no sé a qué está usted esperando.
- Es la hermana de Tomás Aguilar.
- ¿Su amigo el inventor?
Asentí.
- Razón de más. Ni que fuese la hermana de Gil Robles, óigame; porque está bueníssima. Yo, en su lugar, estaría a la que salta.
- Bea ya tiene novio. Un alférez que está haciendo el servicio.
Fermín suspiró, irritado.
- Ah, el ejército, lacra y reducto tribal del gremialismo simiesco. Mejor, porque así puede usted ponerle la cornamenta sin remordimientos.
- Delira usted, Fermín. Bea se va a casar cuando el alférez termine el servicio.
Fermín me sonrió, ladino.
- Pues mire usted por dónde, a mí me da como que no, que ésa no se casa.
pp. 163-4
04 maio, 2010
Palavras lidas #132
O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
olhando para a direita e para a esquerda
e de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
é aquilo que nunca antes eu tinha visto
e eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
que tem uma criança se ao nascer
reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como um malmequer
porque o vejo. Mas não penso nele
porque pensar é compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é
mas porque a amo e amo-a por isso
porque quem ama nunca sabe o que ama
nem sabe porque ama nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência
e a eterna inocência é não pensar...
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) (1888-1935)
in A Religião do Girassol[aquí en castellano]
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01 maio, 2010
28 abril, 2010
Palavras minhas
EPIGRAMAS
Te doy, Claudia, estos versos, porque tú eres su dueña.
Los he escrito sencillos para que tú los entiendas.
Son para ti solamente, pero se a ti no te interesan,
un día se divulgarán tal vez por toda Hispanoamérica...
Y si al amor que los dictó, tú también lo deprecias,
otras soñarán con este amor que no fue para ellas.
Y tal vez verás, Claudia, que estos poemas
(escritos para conquistarte a ti) despiertan
en otras parejas enamoradas que los lean
los besos que en ti no despertó el poeta.
Cuídate, Claudia, cuando estés con-migo
por que el gesto mas leve, cualquier palabra, un suspiro
de Claudia, el menor descuido,
tal vez algun día lo examinen eruditos,
y este baile de Claudia se recuerde por siglos.
Claudia, ya te lo aviso.
De estos cines, Claudia, de estas fiestas,
de estas carreras de caballos,
no quedará nada para la posteridad
sino los versos de Ernesto Cardenal para Claudia
(si acaso)
y el nombre de Claudia que yo puse en esos versos
y los de mis rivales, si es que yo decido rescatarlos
de olvido, y los incluyo también en mis versos
para ridicularizarlos.
Otros podrán ganar mucho dinero
pero yo te he sacrificado ese dinero
por escribirte estos cantos a ti
o a otra que cantaré en vez de ti
o a nadie.
Al perderte yo a ti tú y yo hemos perdido:
yo porque tu eras lo que más amaba
y tu porque yo era el que te amaba más.
Pero de nosotros dos tu pierdes mas que yo:
porque yo podré amar a otras como te amaba a ti
pero a ti no te amarán como te amaba yo.
Ernesto Cardenal
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O despeito soa sempre como o fado do ciúme... em qualquer língua!
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O despeito soa sempre como o fado do ciúme... em qualquer língua!
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27 abril, 2010
25 abril, 2010
Palavras lidas #131
Libertad ¡Ay qué placer
No cumplir un deber!
¡Tener un libro que leer
Y dejarlo de hacer!
Leer es cosa pesada.
Y estudiar es nada.
El sol dora
Sin literatura.
El río fluye, bien o mal,
Sin edición original.
Y la brisa
Es tan naturalmente matinal
Que como tiene tiempo nunca va de prisa...
Los libros son papeles pintados con tinta.
Estudiar es una cosa en que se halla indistinta
La distinción entre nada y cosa alguna.
¡Cuánto mejor, si hay bruma,
Que el rey Don Sebastián nos tenga
Espera que te espera, aunque no venga!
Grande es la poesía, y la bondad, y la danza...
Pero nada hay mejor en el mundo que la infancia,
Las flores, la música, el luar, o el sol, que sólo peca
Cuando en vez de crear las cosas, nos las seca.
Pero es mayor aún el peso
De Cristo que el de todo eso,
Y él nada sabía de finanzas
Ni consta que tuviese biblioteca...
Fernando Pessoa
in Fernando Pessoa -- Poesia, Alianza Tres, 5ª edición, 1987
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Palavras lidas,
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Espantos #243
No parque das casas encantadas (vulgo Güell) há:
azulejos partidos
casas encantadas forradas de azulejos partidos
tectos forrados de azulejos partidos
alguns com umas formas bem engraçadas
mais casas encantadas
e muros forrados com azulejos partidos.
Só ao fim de um tempo me apercebi da razão dos azulejos partidos... é que as superfícies que os azulejos cobrem são sempre onduladas.
Aquele

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
Sophia de Mello Breyner
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Hoje, e em memória daquele que se indignou e lutou para acabar com "o estado a que isto chegou"
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23 abril, 2010
22 abril, 2010
21 abril, 2010
Palavras lidas #130
Tarde Vos Amei Tarde Vos amei, Ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei. Habitáveis longamente dentro de mim, e eis-me lá fora a procurar-Vos. Dispersava-me entre as formosuras que criastes. Estáveis já comigo, sem que eu estivesse convosco! Demorava-me naquilo que não existiria se não existisse por Vós. Até que rompestes minha surdez, chamando por mim com voz tão forte. Brilhastes, cintilastes, por dentro da minha cegueira. Exalastes perfume: respirei-o e desejei-Vos com todas as minhas forças. Saboreei-Vos, e agora padeço de fome, morro de sede. Tocastes-me, e, sem a Vossa paz, sei que nunca mais terei paz!
Agostinho de Hipona (354-430)
in Oração dos Homens -- Una antologia das tradições espirituais
19 abril, 2010
Palavras lidas #129
(...) What Eyjafjallajokull has done above all is force upon us a visceral awareness of our interconnected world - woven together by the crisscrossing of airline routes. For all of the talk of globalization, we see what a global construct our sense of what normality really is.
With luck, the volcano will simmer down soon and the ash plume will disperse. Flights will resume, business will begin to make up its losses, and weary travelers will safely find their way home. It will be a long time before we forget the threat that lies smoldering under an Icelandic glacier. Or its lesson that even in the 21st century, our lives are still at the sufferance of nature.
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Palavras lidas
18 abril, 2010
Foi neste dia #131 (1980)

Há trinta anos o Reino Unido reconhecia a independência da Rodésia e nascia um novo país num clima de optimismo expectante: Zimbabwe.
Nos arquivos online da Economist, encontrei este artigo de 8 de Março de 1980 que relata o processo limpo e democrático (à Inglesa) de transição de poder. O vencedor destacado das eleições livres dava pelo nome de Robert Mugabe. O artigo colocava algumas reservas relativas às tendencias Marxistas de Mugabe, mas no geral exalava esperança para uma nação com um passado colonial racista e marcadamente opressor. Ilusão. É possível que tenha havido alguma razão para optimismo inicialmente (quiçá devido à moratória de dez anos impedindo alterações constitucionais), mas como todos os líderes que se habituam à cadeira do poder, Mugabe esqueceu as promessas de paz e conduziu o seu Zimbabwe à espiral de decadência que parece não ter fim e que piora com o passar dos anos. A farsa das eleições de 2008 nem sequer atingiu o limiar mínimo da credibilidade necessário para convencer o país daquilo que o estrangeiro já há muito desacreditou... a perseguição a jornalistas internacionais não ajuda.
Há duas semanas, a sequência de artigos de Nicholas Kristof no New York Times mostrava uma alarmante saudade nostalgica do antigo regime e uma população jovem que sobrevive dia a dia.
Finalmente um artigo com uma perspectiva distinta e porventura animadora. Em todos os países com antecedentes coloniais mais ou menos racistas emergiram sociedades bastante divididas, com o expoente máximo no apartheid em África do Sul. Como a situação actual do Zimbabwe não poderia ser pior, brancos e pretos, destituídos e desalentados, unem-se em torno de um objectivo comum contra o regime que deixou o país em farrapos. Ironicamente e sem o desejar, Mugabe gerou a união racial no Zimbabwe... mas a que preço!
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17 abril, 2010
Num país a fingir #40
Os problemas financeiros que assolam a Europa do sul são reais e não devem ser tomados de ânimo leve. Depois de dois ou três meses de difíceis e delicadas nogociações foi finalmente aprovado um pacote de ajuda para a Grécia. Apesar da pequena dimensão daquele país, a dívida que acumulou ao longo dos anos não é assim tão negligenciável que possa ser paga pelos contribuintes de outros países como quem bebe um copo de água. Daí que o problema da Grécia seja de facto um problema global; que mais não seja, a solução encontrada contou com o envolvimento da UE e do FMI. A ligação com Portugal, Espanha e Itália é por demais obvia e já foi feita há um tempo. Pela primeira vez na quinta feira, Peter Boone e Simon Johnson fizeram uma análise mais detalhada, e não apenas alusória, do caso mais próximo da Grécia em todos os indicadores económicos: Portugal.
Num país a fingir, o ministro das finanças classifica de disparates tais associações e explicações. "Num mundo de expressão livre podem escrever-se disparates sem fundamentação," disse o ministro que, não contestou as figuras da dívida Portuguesa presentes no artigo, nem tão pouco o optimista cenário de crescimento económico que teriamos de ter para conseguir escapar ao aperto por que passa agora a Grécia. Seria interessante perguntar ao ministro se leu o artigo.
Num país a fingir, o conselho de ministros assobia para o lado, como se nada fosse, e aprova projectos como se fosse tempo das vacas gordas: venha o TGV.
Num país a fingir, o primeiro ministro vai receber a sua "boa amiga" chanceler alemã ao aeroporto, que nem sequer vem em visita oficial: chegou a Lisboa por acaso porque não podia seguir o seu caminho. Mas claro que um primeiro ministro que gosta de luzes não podia fazer por menos. Depois congratulou-se à imprensa com o "prazer" que teve em conversar com Merkel por uns minutos. Será que ninguém se dá conta que tanta bajulação cai mal a um primeiro ministro que dá a impressão que não tem nada de importante para fazer? Será que está à espera que Merkel se lembre da atençãozinha quando for de mão estendida pedir ajuda?
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País a fingir
16 abril, 2010
Coisas que não mudam # 124
Espantos #242

Um vulcão na Islândia cria condições meteorologicas para pores-do-sol espectaculares no Reino Unido.
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Espantos,
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15 abril, 2010
Espantos #241

Um vulcão na Islândia pára o tráfego aéreo em metade da Europa.
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Espantos,
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Palavras lidas #128
Todavía recuerdo aquel amanecer en que mi padre me llevó por primera vez a visitar el Cementerio de los Libros Olvidados. Desgranaban los primeros días del verano de 1945 y caminábamos por las calles de una Barcelona atrapada bajo cielos de ceniza y un sol de vapor que se derramaban sobre la Rambla Santa Mónica en una guirnalda de cobre líquido.
-- Daniel, lo que vas a ver hoy no se lo puedes contar a nadie - advirtió mi padre --. Ni a tu amigo Tomás. A nadie.
-- ¿Ni siquiera a mamá? - inquirí yo, a media voz.
Mi padre suspiró, amparado en aquella sonrisa triste que le perseguía como una sombra por la vida.
-- Claro que sí - respondió cabizbajo --. Con ella no tenemos secretos. A ella puedes contárselo todo.
Poco después de la guerra civil, un brote de cólera se había llevado a mi madre. La enterramos en Montjuïc el día de mi cuarto cumpleaños. Sólo recuerdo que llovió todo el día y toda la noche, y que cuando le pregunté a mi padre si el cielo lloraba le faltó la voz para responderme. Seis años después, la ausencia de mi madre era para mí todavía un espejismo, un silencio a gritos que aún no habia aprendido a acallar con palabras. Mi padre y yo vivíamos en un pequeño piso de la calle Santa Ana, junto a la plaza de la iglesia. El piso estaba situado justo encima de la lebrería especializada en ediciones de coleccionista y libros usados heredada de mi abuelo, un bazar encantado que mi padre confiaba en que algún día pasaría a mis manos. Me crié entre libros, haciendo amigos invisibles en páginas que se deshacían en polvo y cuyo olor aún conservo en las manos. De niño aprendí a conciliar el sueño mientras le explicaba a mi madre en la penunbra de mi habitación las incidencias de la jornada, mis andanzas en el colegio, lo que había aprendido aquel día... No podía oír su voz o sentir su tacto, pero su luz y su calor ardían en cada rincón de aquella casa y yo, con la fe de los que todavía pueden contar sus años con los dedos de las manos, creía que si cerraba los ojos y le hablaba, ella podría oírme desde donde estuviese. A veces, mi padre me escuchaba desde el comedor y lloraba a escondidas.
La sombra del viento, Carlos Ruiz Zafón
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As aulas de espanhol estão cada vez melhores!
14 abril, 2010
Pastelaria (Por Cesariny)
Afinal o que importa não é a literaturanem a crítica de arte nem a câmara escuraAfinal o que importa não é bem o negócionem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócioAfinal o que importa não é ser novo e galante- ele há tanta maneira de compor uma estanteAfinal o que importa é não ter medo: fechar osolhos frente ao precipícioe cair verticalmente no vícioNão é verdade rapaz? E amanhã há bolaantes de haver cinema madame blanche e parolaQue afinal o que importa não é haver gente comfomeporque assim como assim ainda há muita genteque comeQue afinal o que importa é não ter medode chamar o gerente e dizer muito alto ao pé demuita gente:Gerente! Este leite está azedo!Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludoà saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rirde tudoNo riso admirável de quem sabe e gostater lavados e muitos dentes brancos à mostra
13 abril, 2010
Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te percoconheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
(porque Cesariny precisa ser lembrado)
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