22 julho, 2018

Coisas que não mudam #456

É bom regressar ao Horto do Campo Grande
E quem diria que ali tão perto haveriam patinhos!

21 julho, 2018

Coisas que não mudam #455

De volta à Serra da Estrela
 não me canso da paisagem agreste,
onde a altitude mantém a vegetação necessariamente baixa
 e as pedras condizem com o restante cenário de pouca vida.
 Os vales em U mostram bem a origem glaciar da região.

20 julho, 2018

Verão #13

Not complaining but it's almost August... weird!
Não me queixo mas é quase Agosto... estranho!

19 julho, 2018

Pedaços de Veneza #6

A antiga grandiosidade de Veneza percebe-se pelo símbolo do leão alado, que se vê um pouco por todo o lado, a começar pela bandeira,
em painéis esculpidos nas ruas
ou nos palácios,
nas pinturas,
 ou na fachada da catedral de São Marcos.
A grandiosidade de outros tempos, contrasta com a impraticabilidade da cidade. Que a cidade impraticável continuasse enquanto controlava as rotas de comércio mundiais compreende-se, assim como o longo declínio de alguns séculos. Mas que não tenha sido subsequentemente abandonada, custa a entender. É que nada funciona eficientemente na cidade que alaga cada vez que a maré alta coincide com a chuva, já para não falar do afundamento progressivo (embora lento) de toda a estrutura que suporta os edifícios da cidade. Receitas do turismo e doações de todo o mundo para restauros de vários edifícios mantêm a cidade em pé... se calhar até sempre. Dá que pensar!

18 julho, 2018

Pedaços do Porto Santo

Para além de cardos e de gatos, o Porto Santo tem a Casa Colombo,
que não se sabe onde nasceu mas viveu de certeza no Porto Santo,
9 km de praia,
de longe o maior atractivo do Porto Santo,
esculturas naturais que parecem coisas diferentes
conforme a perspectiva
e águas amenas;
a origem vulcânica da ilha esta bem presente
mas a paisagem é predominantemente árida,
mas com flores, muitas flores.

16 julho, 2018

Espantos #549

Nos últimos dias, depois do por-do-sol
temos assistido a uma bela dança entre Venus e a lua.

15 julho, 2018

Ditto #389

If you want the future to be different from the present, study the past.

--Benedict Spinoza

14 julho, 2018

Palavras lidas #386

A Young Man
by Jericho Brown

We stand together on our block, me and my son,
Neighbors saying our face is the same, but I know
He’s better than me: when other children move

Toward my daughter, he lurches like a brother
Meant to put them down. He is a bodyguard
On the playground. He won’t turn apart from her,

Empties any enemy, leaves them flimsy, me
Confounded. I never fought for so much—
I calmed my daughter when I could cradle

My daughter; my son swaggers about her.
He won’t have to heal a girl he won’t let free.
They are so small. And I, still, am a young man.

In him lives my black anger made red.
They play. He is not yet incarcerated.

12 julho, 2018

Palavras lidas #385

Tudo lhe correra mal na vida, confessava a mãe, a quimera de ter descoberto o sentido da história, de o ter agarrado como um boneco de trapos manipulado pelos desejos dos homens, de ter concebido uma sociedade finalmente se endireitaria, vencendo os aleijões, a justiça prevaleceria e o bem seria universal, a utopia de ter querido mudar os comportamentos bestíforos do homem, transformar este em santo de rectidão ética, findar com a divisão entre pobres e ricos, exploradores e explorados, criar um homem novo, socialmente virgem, politicamente recto, moralmente impoluto, mais virado para o outro do que para si, ah, meu filho, dizia a mãe, entre lágrimas, se eu soubesse o que sei hoje, sobretudo depois de ter tomado conhecimento da traição do teu pai, ah, que se lixasse o homem novo e o homem velho, do homem só quereria... e mais não disse, mas eu percebi, nunca se teria casado, experimentaria o sexo que desejaria experimentar, viajaria por onde quereria viajar, não desperdiçaria o dinheiro herdado na compra de uma casa maior do que as necessidades numa zona fina de Lisboa, não passaria a maior parte da semana a aturar os filhos dos outros, a tentar goradamente inocular-lhes o bichinho da história e das suas lições, viveria o presente todos os dias diferentes, todos os dias extraordinários, até que pudesse chamar felicidade à abundância de gozo e satisfação.

11 julho, 2018

Caprichos #484

February
Him: the Lisbon florist wants me to send you red roses.
Me: why don't you?
Him: but you aren't in Lisbon...
July
Him: now they want me to send you pink daisies...
{and here they are!!}

10 julho, 2018

Palavras lidas #384

A palavra não me assustou, nem me aguçou a curiosidade, ouvira abundantemente esta palavra na boca do pai e da mãe, fora o sonho dos pais até 1989, ano da queda do muro de Berlim quando, segundo eles, a revolução findara de vez, o pai chorou ao ver aquelas imagens na televisão, contou-me a mãe, o "homem novo" comunista a fugir para o lado capitalista, esburacando e derruindo o Muro, a mãe roçou uma depressão, amaciada por umas férias em Cancun, México, a fazer de europeia rica, o pai regressado de Cancun, decidiu que a revolução terminada de vez, começara em 1917, em Moscovo, e findara em Berlim em 1989, 72 anos de falso comunismo, a ilusão do século, disse ele, uma utopia para a qual dei a minha contribuição, entreguei-lhe mais de 20 anos de vida, chegou a Lisboa e foi à Soeiro Pereira Gomes, sede do Partido Comunista Português, depositou o cartão de militante nas mãos do funcionário da secretaria e deixou escrito, pela sua própria mão que não mais o chamassem, nem mesmo para rubricar aqueles abaixo-assinados subscritos pelos eternos compagnyons de route.

09 julho, 2018

Palavras lidas #383

A terceira filha, a mais nova, Sancha Peralta Perestrêllo, narrou-me resignado d. Bartolomeu, não era nada, nada fazia na vida e pouco interesse manifestava sobre o que fosse excepto em alguns domínios da arte, mais de modo diletante do que empenhado, vagueava na vida, experimentando o momento e a oportunidade, ora uma actividade (pintar, por exemplo), ora outra (praticar olaria artesanal nos anexos do solar), ora buscava um sentido para a vida (budista, espiritual, de profunda austeridade), ora outro (gastar numa tarde 5000 euros em roupas no El Corte Inglés, alegando que nada tinha para vestir), ora se tornava vegetariana, ora mais do que carnívora, totalmente omnívora, ora crudivorista, vivendo exclusivamente de alimentos crus, ora se dedicava à ciência, comprando todos os jogos Science4you e acumulando dezenas de revistas científicas, ora à filosofia, inscrevendo-se nos cursos livres do professor Paulo Borges da Faculdade de Letras de Lisboa, ora se interessava pelos costumes primitivos dos portugueses frequentando seminários de antropologia.

08 julho, 2018

Palavras lidas #382

Constança era a típica filha das novas escolas de comunicação que pulularam por todo o País no princípio do século, culturalmente muito pouco informada, historicamente ignorante e literariamente ignara, crente, porém, de que o mundo começara com ela e de que a Internet e a opinião publicada constituíam as duas verdadeiras faces do mundo. Ambicionava, como todo o jornalista recente ser empresária ou professora universitária, e castigava os entrevistados com questões abstrusas, tentando evidenciar uma superioridade intelectual que estava longe de possuir.

07 julho, 2018

Palavras lidas #381

{Cadáveres às Costas de Miguel Real destaca-se pela míriade de temas que compõem o romance e pelas descrições precisas das personagens que quase se conseguem ver}
Martim, 35 anos, vivera a juventude obcecado pela gordura monumental que ostentava, uma gordura oca, não efeito de abundante comida, mas de deficiência glandular, sentia o corpo como uma barrica artificial envolvendo-lhe o esqueleto, completara o 12º ano nos jesuítas aos 20 anos, depois de uma bateria de explicadores que, durante dois anos, frequentaram a saleta do segundo andar todas as manhãs, forçando-o a repetir continuamente as respostas aos 40 a 50 formulários de exames modelo publicados pelas editoras escolares. Nem o pai nem a mãe articularam a hipótese de o primogénito se inscrever numa faculdade, mesmo privada, nem mesmo numa dirigida por um juiz, velho amigo da familia, que ainda alvitrou a hipótese de o "rapaz" frequentar um daqueles cursos de papel, Comunicação ou Relações Públicas, "tira-se com uma perna às costas", e piscou-lhe o olho querendo dizer que lhe facilitaria as provas de frequência e do exame. Mas Martim, de cara amarrotada, bocejando, perguntou se tinha de lá ir, às aulas; (...) Martim achava aquilo uma maçada, ainda por cima não lhe serviria para nada, não queria ser jornalista, relações públicas não sabia (...). O pai, que estudara em Coimbra e se vira forçado à memorização de sebentas anquilosadas, rematou, vês é Lisboa, não tem nada a ver com Coimbra, e depois tratam-te por doutor, oh, pai, isso foi chão que deu uvas, qualquer badameco hoje tira um curso e eu não quero ser um badameco qualquer, há tantos a trabalhar nas caixas de supermercado.

Foi então que d. Mafalda, (...), se lembrou de que Martim, com aquele jeito de falar, aquela lábia, dizia ela, bem podia ser deputado. Foi como se caísse ouro do céu sobre a cabeça do jovenzinho Martim. (...) sim, deputado sim, parecia-lhe bem, teria exposição pública, prestigio privado, só era pena o que diziam dos deputados, ganhavam mal, mas, enfim, não se podia querer tudo.

06 julho, 2018

Espantos #548

O cardo, símbolo da verde Escócia,
dá-se belissimamente no árido Porto Santo.

04 julho, 2018

03 julho, 2018

Numa sala perto de mim #379

Columbus (2017) shows the unlikely connection of two people with very little in common, yet both in limbo situations of uncertain endingDifferent age, background, and income standing, draw stark contrast between duty and willingness that each character approaches very differently. Non trivial choices can potentially affect the rest of their lives, justifying the difficulty of moving forward and the slow pace of the movie, which nevertheless is rather moving.

02 julho, 2018

01 julho, 2018

Ditto #388

There are no foreign lands. It is the traveler only who is foreign.

--Robert Louis Stevenson