08 abril, 2009

Numa sala perto de mim # 98

(ou, o saber de experiência feito)

Police Inspector: [whispering] Doctors... Lawyers... never get past 60 thousand rupees. He's won 10 million. [pause]
Police Inspector: What can a slumdog possibly know?
Jamal Malik: [quietly] The answers. [spits out blood]
Jamal Malik: [quietly and gently] I knew the answers.

07 abril, 2009

Coisas que não mudam #90


Ri, diminutivo de Rita (o nome dela), diminutivo de Margarida. Margarida é um nome muito grande, Rita é um nome pequenino. Só eu a chamo Ri, porque é para mim diferente do que é para as outras pessoas, porque não tenho outra igual e porque gosto muito, MUITO, da que tenho... parabéns IRMÃ :-)

Caprichos #91

Morning walk to work. The ipod plays loud in my ears deliberately isolating me from the street sounds. I stop by the ATM to deposit a check. While standing still, I feel my head nodding, my foot lightly marking the rythm, and my waist wanting to wonder in & out to the beat of

kajaraa re kajaraa re tere kaare kaare naina...
(your kohl-lined eyes, your black, black eyes...)
mere naina mere naina mere naina juRwaa naina
(My eyes, my eyes, my twin eyes... )

and I smile thinking of all the people (from Colombia to South India) and fun times that song brings to mind. The deposit is done and the light subtle dance stops as I resume walking. I am more alert to the lyrics walking down the street than when the music is just background soundtrack for work. I sing with Alice

And hey, I'm not what you're looking for
I can tell you that I'm so much moooooooooooore...

hmmm... some times lyrics just hit you unexpectedly after listening to the song so many times :-)

05 abril, 2009

Palavras lidas #76

Talvez não seja mais do que o meu sonho...
Esse sorriso será para outro, ou a propósito de outro,
Loura débil...
Esse olhar para mim casual como um calendário...
Esse agradecer-me quando não a deixei cair do eléctrico
Um agradecimento...
Perfeitamente...
Gosto de lhe ouvir em sonho o seguimento que nao houve
De conversas que nunca chegou a haver,
Há gente que nunca é adulta sem!
Creio mesmo que pouca gente chega a ser adulta - pouca -
E a que chega a ser adulta de facto morre sem dar por nada.

Loura débil, figura inglesa absolutamente portuguesa,
Cada vez que te encontro lembro-me dos versos que esqueci...
É claro que não me importo nada contigo
Nem me lembro de te ter esquecido senão quando te vejo,
Mas o encontrar-te dá som ao dia e ao desleixo
Uma poesia de superfície,
Uma coisa a mais no a menos da improficuidade da vida...
Loura débil, feliz porque não és inteiramente real,
Porque nada que vale a pena ser lembrado é inteiramente real,
E nada que vale a pena ser real vale a pena.

Álvaro de Campos, Poesia

Pormenores #40

Lories, Hunt Slonem 2008

Hoje fui a uma gallery crawl pela primeira vez. O conceito é simples: no primeiro sábado de cada mês as galerias da baixa da cidade abrem as portas entre as 6 e as 10 horas da noite e servem vinho, queijo e frutas para quem quiser entrar e ver as exposições... tudo free of charge. Como há várias galerias participantes, e nem todas são perto umas das outras, há um autocarro gratis que faz o circuito de meia em meia hora.

O evento atrai muita gente, excêntrica ou não. Por isso hoje, pela primeira vez, pensei que poderia estar a entrar numa qualquer galeria de uma grande cidade onde eventos destes acontecem com frequência. Da pintura à escultura e à fotografia há um pouco de tudo. Em muitas das galerias os artistas estão lá para responder a perguntas ou ouvir comentários.

Ficou-me na ideia o trabalho de Hunt Slonem. Grandes telas, com mais ou menos cor, mas todas com pormenor especial: vistas de longe representam determinado padrão, mas uma aproximação revela a tinta a saltar da tela, como que ainda fresca. Suponho que ele pinte a óleo sobre uma tela coberta com uma espécie de rede e que depois de secar um pouco arranque a rede com violencia e então sim deixe secar por completo... resultado: o observador aproxima-se da tela e quer entrar lá para dentro!

04 abril, 2009

Numa sala perto de mim #97

Richard III (1995) adapta a intemporal obra de Shakespeare (original 1591-2) a um hipotético cenário de uma Inglaterra fascista nos anos 30. O trabalho de adaptação a uma época tão diferente daquela em que a peça foi escrita é notável. Nem faltou a famosa frase:

A horse! a horse! my kingdom for a horse!

No Times de hoje #97

Foram três os artigos que, por três razões diferentes, chamaram a minha atenção na edição de sábado do New York Times.

Certezas. Aquilo que temos por certo pode agravar seriamente não só a nossa percepção do mundo que nos rodeia, como também a nossa atitude em relação a ele. Consequentemente ao tentarmos agir para melhorar ou resolver determinado problema poderemos de facto agravá-lo por causa das nossas adquiridas "certezas" (em inglês a palavra prior encaixa melhor). O artigo fala da Grande Depressão dos anos 30. A tendência revisionista leva alguns economistas a afirmar que a Grande Depressão terá sido o mais mal interpretado fenomeno da história Americana. Com o New Deal, Roosevelt terá piorado e prolongado a crise transformando-a em depressão... e grande! Nada está estabelecido claro, mas há lugar para debate. Necessário nos tempos que correm.

Dúvidas. Gosto do iphone da Apple. A possibildiade de ter internet, telefone e ipod no mesmo aparelho é por demais atractiva, para além da cativante a estética e userfriendliness do produto. Aquando do lançamento não comprei por três razões: preço, timing e rede de serviço telefonico (AT&T, eu tenho Verizon). O preço tem vindo a descer, o timing resolver-se-á num ano e a cobertura da AT&T é melhor aqui que em Boston, pelo que talvez compre o dito do iphone no verão de 2010... até ler este artigo. Como qualquer outro aparelho electrónico, também o iphone tem o seu periodo de adaptação que varia certamente com o grau de complexidade do aparelho, mas também com a idade do comprador. O artigo está divertido, mas fez-me duvidar: será o iphone certo para mim? Serei eu certa para o iphone? :-)

Tendências. Aparentemente há uma nova tendência na construção dos modernos hoteis de luxo: casas de banho enormes (chegando a ocupar 50% da área do quarto) completamente expostas para o quarto - parede de vidro. Não se trata de apenas um hotel exótico em Nova Iorque que é notícia pela excentricidade. Para além de Londres, Los Angeles e Miami, a tendência verifica-se também na China e na Índia, havendo ainda construções previstas para Marrocos e Vietname. Trata-se da mudança do conceito associado à casa de banho que em vez de local de breve passagem é encarada como mais um espaço de vivência. Controverso e não geral, o conceito faz questionar ideias pre-estabelecidas. Interessante!

And the result...

... of the saree shopping was this!

Numa sala perto de mim # 96


Christine Collins: I used to tell Walter, "Never start a fight... but always finish it." I didn't start this fight... but by God, I'm going to finish it.
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Um excelente argumento para uma excelente interpretação. A consciência de não ter nada a perder quando já se perdeu tudo e, que por isso, vale a pena sempre.

03 abril, 2009

Coisas que não mudam #89

My wonders at the English language (or any language for the matter) never cease. His expression was:

I need to be back in the office by 1.30, but you take it easy, I can just dash

Though I had never heard the word used in that context I understood what he meant. Out of curiosity I checked the various meanings of the word in google define:

run or move very quickly or hastily
distinctive and stylish elegance
break into pieces, destroy
hyphen
cause to lose courage
add an enlivening or altering element to

Fascinating! When I'm all grown up I want to be able to use dash in all these contexts without making an effort :-)

Espantos #181

Highlander marathon on the sci fi channel, today from 8am to midnight. Can you believe it? DVRd to grow sick* of it at some point... not today though: deadlines!
__________

* in the meek possibility I ever get sick of Adrian Paul :-)

02 abril, 2009

Palavras lidas #75

Mother and Child (detail from The Three Ages of a Woman) 1905, Gustav Klimt

Ainda sobre a expressão da palavra... desta vez escrita. Daqui.
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À minha mãe 

Procuro,
folheio livros e livros,
em busca de um poema,
de um parágrafo, de uma frase,
que me falasse de ti
sem que eu tivesse que procurar-te
nas minhas entranhas.
Celan, Heine e Ginsberg não te conheceram,
e nem nos seus mais tristes versos
contam a falta que me fazes.
Mas as palavras dos outros são sempre
mais fáceis. Mais distantes.
Procurei,
em livros e livros,
um poema, um parágrafo, uma frase,
que me resguardasse da mágoa,
como janela de vidro protegendo o rosto
da chuva.
Mas nada do que leio
chega para contar o que sinto.
I miss you
Perco-te. Perdi-te.
Mais do que saudade, que a saudade,
a dor verdadeira está na eternidade
da tua ausência. I miss you
Perco-te. Perdi-te.
Nada que eu faça — nem que galgue quilómetros,
nem que nade o Atlântico — fará com que
me beijes novamente a testa,
que me chames outra vez
filhote.

Fecho os livros. Não há poemas
que me possam abrigar a ferida em chaga
que faz hoje dois anos se me abriu na alma.
Com o rosto molhado de lágrimas, desvio
o olhar para a janela. Fixando as luzes da cidade
sob o fundo negro do céu e do rio, vejo o teu rosto
como se estivesses ao meu lado.
Instintivamente levo as mãos aos olhos,
para os secar.
Não quero que me vejas chorar.

N.G.J.
New York, 26 de Novembro de 2008

Numa sala perto de mim #95

Jellyfish (2007) conta as histórias de três mulheres em Tel Aviv. O real e o fantástico misturam-se e o nexo não é o objectivo central do filme. Achei fenomenal a dificuldade de expressão de emoções por palavras: ciúme, mágoa, tristeza, revolta, preocupação, desinteresse, paciência, abnegação... está tudo lá sem nunca ser transmitido verbalmente, como tantas vezes acontece na vida de todos os dias.

01 abril, 2009

Irmã Cotovia

I
Vive rente ao solo e é no solo
que faz o ninho e sacia a fome
com as coisas do chão e em silêncio.
Porém, quando precisa de cantar,
muda de elemento: deixa a terra, sobe ao ar,
altíssimo, até onde
nenhum outro pássaro se arrisca.
Dir-se-ia
que sobe a um palco.
Então, dos limites do voo, quase imóvel,
vai derramando breves, repetidos
jorros de júbilo, assim como quem diz:
vejam como estou alto, sustentada
por tão frágeis asas.
Depois que desafogou o peito
das inadiáveis premências da voz,
apeia-se, torna ao solo,
dissimula-se na cor parda da terra,
como se nunca tivesse voado.

A.M. Pires Cabral, in Arado

30 março, 2009

Primavera #6

Estão por todo o lado... muito mais cedo que em Boston!

29 março, 2009

Saree shopping

I was always amazed by the immense variety of colors in Indian clothing. If you take a random sample of 10 indian women (in India) and compare the color of their clothes to a random sample of 10 European or American women (doesn't really matter) you'll find the first group covers a much wider span of the color spectrum than the second. In special occasions, for instance weddings, the statement is even more true as the second group will probably polarize in darker colors.

All of this because an Indian (and very good) friend of mine is going to a wedding soon and was struggling with the color of saree to buy. When she asked my advice, I frankly did not know what to say because I don't actually have much color variety in my own wardrobe... if anything, there's a tendency towards darker shades. But she deserved a sincere answer, she's a very good friend of mine and if a friend asks you for advice you give it your best.

So here's my thought process: #1 imagine that you can literally choose any color of the spectrum with as many variations as you please; #2 forget your favorite color, your priors on what colors are proper for weddings, your priors on any color, your own skin color, the colors in your own wardrobe; #3 now think that the color you choose will (literally) cover you from head to toe leaving only the arms a few sections of your lower torso out... better be a sexy color! Given 1, 2, and 3, what color would you choose? I closed my eyes and said (that is, wrote on the chat window) turquoise blue. Regardless of her final choice, I was happy that I could provide unbiased advice as I own not a single piece of clothing in that color. She thanked the advice and went saree shopping in Chennai (former Madras).

Today I found her online again and asked what color she ended up buying. The answer was magenta with some brown/golden top. Hmm I hadn't thought of that variation (i.e. that you could choose more than one color), but was happy with her choice! Then I realized I had forgot a very important detail. In my thought process I isolated my own prejudices and biases against and/or for certain colors but I forgot to ask if there were any colors that would not be appropriate at a wedding:

her magenta with a brown/golden blouse
me cool! is there any meaning in the color? For example, does the bride wear a certain color and therefore it would be weird to buy that color to attend a wedding?
her no just that it cannot be black
me hmmm and the meaning of black?
her black is inauspicious

Now there's a word I don't use everyday! Though I have the idea it conveys something vaguely negative, I go check it out at google. The answer is clear: ill, presaging ill fortune. Ahhhh I miss the constant learning opportunity (not just vocabularywise) of hanging out with my Indian friend on a daily basis. 

So this one is for you dear... in English as you like. And I hereby promise I won't wear a black saree at your wedding, whenever that may be... don't do it too late or I won't be able to show my lower torso :-)

Pormenores #39

Gostei da t-shirt dela

fez-me pensar em duas coisas: #1 que seria bom que todas as coisas fossem tão claras, #2 que se calhar até são, nós é que as fazemos escuras!

Coisas que não mudam #88

Cheirinho bom... o ananás passou uma semana na cozinha antes de o abrir. Ao chegar a casa ao fim da tarde cheirava taaao bem!

NoTimes de hoje #96


"É uma crise fomentada por comportamentos irracionais, de gente branca de olhos azuis..." foi a infeliz declaração de Lula em Brasilia numa conferência de imprensa com Gordon Brown. Infeliz porque populista, minimalista e falsa: os ricos são brancos de olhos azuis e os pobres são todos os outros... pois. Declarações deste género só podem gerar desconforto político e conflito social, especialmente se vindas de um dos membros do G20... e a cimeira à porta!

O artigo de hoje do Times, tenta tirar o melhor partido das despropositadas declarações de Lula fazendo ligações interessantes com os olhos castanhos de Barack Obama, com canções que mencionam ambas as cores de olhos, e com estudos académicos que alegadamente indicam que pessoas de olhos azuis são melhores planeadores e têm melhores notas em exames, enquanto que individuos de olhos castanhos têm melhores reflexos, o que faz deles melhores atletas em determinados desportos. Nada, claro, é provado com rigor, nem nos dizem quais são os estudos que fazem tais alegações para irmos confirmar... ou seja, o valor da peça é apenas jornalístico (e pobre... a safa é estar nos artigos de opinião) e não científico: mensagem difícil de passar em sociedades (e são muitas) em que tudo o que aparece no jornal ou na televisão é tido como verdade. Ainda assim ficou-me na cabeça a frase:

You look at blue eyes. You look into brown eyes.

hmm... esperemos :-)