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29 junho, 2016

Foi neste dia #290 (1482)

Há 534 anos nascia em Córdova, Maria de Aragão, princesa espanhola que viria a ser rainha consorte de Portugal por casamento em 1500 com Manuel I seu cunhado. Foi este o segundo de três casamentos de D. Manuel, que em 1497 tinha casado com a mais velha das irmãs mais velhas de Maria, a Isabel princesa das Astúrias viúva e antiga nora de D. João II cujo filho morreu num trágico acidente equestre fazendo com que Manuel herdasse o trono por morte de D. João II em 1495.

Sendo Isabel a primeira mulher de D. Manuel, seria a descendência desta que herdaria a coroa portuguesa e também as de Castela e Aragão já unidas pelo casamento dos reis católicos, pais de Isabel, a primogénita. Mas Isabel morreu pouco tempo depois de dar à luz, e Miguel da Paz (Príncipe de Portugal e das Astúrias) seu único filho, que morreu menos de dois anos depois. A herdeira da amalgamada coroa de Castela e Aragão passou então a ser a segunda filha mais velha dos reis católicos, Joana (a louca), enquanto a coroa portuguesa passaria para os filhos de D. Manuel com Maria de Aragão... tiveram dez sendo que oito sobreviveram até à idade adulta.

Após a morte de Maria de Aragão ao fim de 17 anos de casamento, D. Manuel casou pela terceira vez em 1518 com outra princesa espanhola, desta feita Leonor da Áustria, filha de Joana (a louca) e Felipe (o belo). Leonor tinha sido prometida desde cedo ao príncipe herdeiro de Portugal, o futuro D. João III, mas Manuel não resistiu a uma última oportunidade de se tornar rei de toda a Península Ibérica.

31 maio, 2016

Foi neste dia #286 (1469)

Há 547 anos nascia em Alcochete aquele que viria a ser o Afortunado ou Bem-Aventurado rei D. Manuel I. Razões da fortuna? 

1) Manuel herdou o trono em Outubro de 1495 por nomeação de D. João II (seu cunhado e primo direito) que morreu sem descendência, já que o seu único herdeiro legítimo morreu num acidente de cavalo em 1491; 

2) o final de 1495 foi particularmente auspicioso, dobrado o Cabo das Tormentas em 1488 e demonstrada a passagem para o Oriente a sul do continente Africano, a próxima viagem ao Oriente estava já encomendada por D. João II a Estêvão da Gama, mas por morte deste em 1497 esta incumbência passou para o seu filho, Vasco da Gama. 

As fortunas que daí vieram bem se viram na bonança que da Índia veio e que permitiu a D. Manuel dizer-se por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor de Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia. Resta dizer que nenhum outro rei deu o nome a um estilo arquitectónico próprio.

05 dezembro, 2013

Foi neste dia #222 (1496)

Há 517 anos o rei D. Manuel I promulgou o édito de expulsão (ou conversão forçada) dos judeus de Portugal, válido a partir de Outubro do ano seguinte. 

Esta foi a condição imposta pelos reis de Espanha (Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que tinham emitido um édito semelhante em Espanha quatro anos antes) para a realização do casamento da sua filha, a princesa Isabel das Astúrias, com D. Manuel. Ora em 1490 esta Isabel tinha casado com o princípe Afonso, herdeiro de D. João II, que viria a falecer inesperadamente num acidente hípico em 1491. A jovem viúva partiu triste para Espanha com intenção de não mais se casar e entrar para um convento. Seus pais ignoraram estes desejos e em 1497 casaram-na com o tio do falecido Afonso, Manuel I pelo que, desta vez Isabel tornou-se mesmo rainha de Portugal. Ainda em 1497 Isabel tornou-se também herdeira legítima do trono espanhol por morte do seu irmão João que não deixou descendência. Os melhores sonhos de Manuel concretizavam-se visto que os descendentes dele e de Isabel poderiam no futuro unir as coroas de todos os reinos da Península Ibérica. Isabel viria a falecer em 1498 por complicações no parto de Miguel da Paz e dois anos mais tarde os planos de união ibérica ficariam adiados com a morte deste mesmo infante. 

Intrigas reais à parte, há 517 anos a vida dos judeus Portugueses complicou-se substancialmente!
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Happy Hanukkah!

26 agosto, 2012

Foi neste dia #185 (1595)

A 24 de Julho de 1580, António Prior do Crato (neto ilegítimo de D. Manuel I) foi aclamado rei nas cortes de Santarém sucedendo ao cardeal rei D. Henrique seu tio, que dois anos antes sucedera ao seu sobrinho neto D. Sebastião, malogradamente desaparecido em Alcácer Quibir. O reinado de D. António durou apenas 33 dias. Com o apoio do baixo clero e do povo, António não podia competir com Filipe II de Espanha, seu primo direito (também neto de D. Manuel I), que contava com os apoios da nobreza a quem tinha prometido futuros benefícios. 

Sem nunca se resignar, António veio a exilar-se nos Açores de onde reinou por dois anos. Partiu depois para França e dali para Inglaterra onde em 1589 pediu auxílio à rainha Isabel I para tomar Lisboa. O desembarque e a tomada de Peniche deu-se sem problemas. Daí a armada dividiu-se: uma parte seguiria por terra com tropas às quais o esperado apoio popular se deveria juntar; por mar seguiria a artilharia ao comando de Drake até Cascais numa tentativa de cercarem Lisboa por terra e mar. A partir daqui foram só azares: os saques das tropas a caminho de Lisboa (Atouguia da Baleia, Lourinhã, Torres Vedras e Loures) não inspiraram confiança no povo que, apagado e vilmente triste, se absteve; a armada que navegara até Cascais aguardava pela entrada em Lisboa das tropas terrestres, mas estas foram surpreendidas pela poderosa artilharia Espanhola que do Castelo de São Jorge tudo dizimava; finalmente a armada de Drake foi acometida de peste e retirou-se em menos de um mês, deixando conhecida a inglória expressão "amigos de Peniche" para aqueles com quem não se pode contar. 

Depois do fracasso, António caiu na pobreza e finalmente exilou-se em França com uma pequena pensão concedida por Henri IV. O último príncipe da dinastia de Aviz morreu em Paris faz hoje 417 anos.

29 agosto, 2017

Batalha!

Continuando o banho manuelino parámos na Batalha.
Prometido por D. João I como agradecimento ao sucesso na Batalha de Aljubarrota em 1385, a sua construção do mosteiro começou logo em 1386 e prolongou-se até 1507, apanhando na fase final já o estilo manuelino. O gótico tardio é muito evidente no portal e na altura do edifício.
A capela do fundador junto à nave central
alberga não só D. João I e sua mulher D. Filipa de Lencastre, mas também toda a ínclita geração (à excepção de D. Duarte) e também Afonso V, João II e o seu filho, Príncipe Afonso, que morreu tragicamente num acidente hípico e precipitou a sucessão do trono para D. Manuel I, o cunhado de D. João II. Neste mini-panteão dos Avis destaca-se o túmulo do Infante D. Henrique.
Dignos de registo são ainda o magnífico claustro,
a Sala do Capítulo (de monumental abóboda) que alberga
o túmulo do soldado desconhecido com um belo vitral
e a chama eterna
Mas a visita não fica completa sem as Capelas Imperfeitas
 mandadas construir por D. Duarte e nunca acabadas;
 dá para perceber a impressionante estrutura do monumento
 que contém o túmulo de D. Duarte e sua mulher D. Leonor de Aragão
 de mãos dadas!

04 outubro, 2016

Pormenores #136

Já aqui escrevi sobre o felicissimo D. Manuel I, e em especial sobre o seu faustoso título que hoje encontrei escrito em caligrafia do século XVI quando o rei (re)emitiu carta de foral a Santarém em 1506.
É preciso treinar a vista, mas consegue ler-se que D. Manuel se denominava
por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor de Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.

03 junho, 2016

Foi neste dia #287 (1537)

Há 479 anos nascia no Palácio Real de Évora, João Manuel, o oitavo filho de D. João III e sua mulher D. Catarina da Áustria. Sete dos nove filhos de D. João III morreram com 6 anos ou menos, os outros dois também não chegaram à velhice. 

A segunda filha, Maria Manuela, foi a primeira esposa do futuro Rei Felipe II de Espanha seu primo direito, mas morreu aos 17 anos quatro dias depois de dar à luz o Carlos, Principe das Astúrias, criança deformada e com vários problemas mentais resultado de gerações sucessivas de consanguinidade (Carlos tinha apenas 4 bisavós e 6 trisavós).

João Manuel, casou com Joana da Áustria, outra princesa espanhola sua prima direita (irmã de Felipe II) e viria a morrer com 16 anos, 18 dias antes do nascimento do seu filho, o futuro malogrado D. Sebastião. Com tanta consanguinidade, não espanta que os retratos de João Manuel, Carlos das Astúrias, e Sebastião sejam praticamente idênticos.

11 junho, 2019

Foi neste dia #330 (1557)

Há 462 anos morria no Palácio da Ribeira em Lisboa D. João III (filho de D. Manuel I) com 55 anos, deixando como herdeiro único o seu neto Sebastião com 3 anos. 

O país ficava à espera que aquela criança sobrevivesse a infância, coisa que só dois dos nove filhos de João III conseguiram: a Princesa Maria Manuela, rainha consorte de Espanha, que morreu de parto aos 17 anos; e o Príncipe herdeiro João Manuel que morreu com 16 anos, 18 dias antes de ver nascer o seu filho Sebastião.

16 setembro, 2013

Palavras lidas #228

Em 1628 Duarte Gomes Solis escrevia sobre os grandes navios na Carreira da Índia:

[...] E todos estes danos se evitariam se as naus tivessem menos toneladas de porte, e fossem mais perfeitas de estrutura. [...] Nos princípios, por serem a naus de [menor] porte, iam e vinham a salvamento em armadas juntas, o que nestas naus grandes não se pôde manter, por serem mal governadas, e porque em Portugal não se castiga a quem se aparta da armada. E para que se veja o benefício que Portugal gozou em navegar nos princípios, [...] Note-se o que sucedeu nos anos de 1519, 1520 e 1521, que foi o último da vida do Rei D. Manuel, em que partiram de Lisboa 26 naus e navios, que todos foram e vieram a salvamento, só se perdendo o galeão Santo António, de Manuel de Sousa, com prognóstico que o merecia por pecados que havia cometido. E só a nau Anunciada de Bartolomeu de Marchone, da viagem de 1520, chegou de invernada a 28 de Março de 1522. E que nos anos de 1590, 1591 e 1592, partindo 17 navios de viagem e dois galeões, e uma caravela de inverno, havendo partido da Índia mais duas naves novas, de todos estes 22 navios não chegaram a salvamento mais que a nau S. Cristóvão, no ano de 1592, e a nau S. Pantaleão, no ano de 1593, as duas mais depreciadas e menos importantes, que por não virem sobrecarregadas [...], tiveram nisto ventura. [...]

in Alegacion en favor de la Compañia de la India Oriental, Comercios Ultramarinos, que de nouevo se instituyó en el Reyno de Portugal
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Por volta de 1650 Manoel Severim de Faria escrevia sobre o mesmo assunto:

[...] O caso he que cinco galeões, ou Náos pequenas, custão tanto como tres Náos grandes, e vindo cinco Baixeis destes que dizemos juntos, vem huma Armada muito poderosa, e vindo tres Naos, vem tres Carracas muito fracas, as quaes depois de duas viagens se mandão desfazer na Ribeira, e os Galeóes podem servir depois de muitos annos assim nas viagens, como nas Armadas da costa; porém o que sobretudo se pode considerar, he que cinco Navetas, que partem da India, todas chegão ao Reyno, senão quando Deos conhecidamente nos quer castigar, e partindo tres Naos de Goa, he quasi milagre chegarem cá todas, por quanto do mesmo porto de Goa, por sua grandeza e imensa carga saem já perdidas, como aconteceu à Náo Reliquias, que dando à vella, se foi ao fundo, antes de sahir do porto de Cochim. [...]

in Notícias de Portugal

11 junho, 2016

Coisas que não mudam #357

Diz o calendário litúrgico que ontem foi o Dia do Anjo da Guarda de Portugal, também chamado de Anjo Custódio de Portugal, que proteje a nação portuguesa. A pedido de D. Manuel I em 1504, o papa Júlio II instituiu a festa do referido Anjo que teria já culto antigo no país. O culto ter-se-á perdido no século XVII, mas foi novamente inserido no calendário litúrgico em 1952. 

Terá o Anjo aparecido a D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique (cuja vitória levou à aclamação deste como primeiro rei de Portugal) e também aos pastorinhos de Fátima (por três vezes entre Maio e Outubro de 1917 quando os convidou à oração e à penitência). 

01 maio, 2014

Foi neste dia #231 (1539)

Há 475 anos morria em Toledo Isabel, infanta de Portugal (por ser filha de D. Manuel I), Rainha consorte de Espanha e Imperatriz do Sacro Império Romano (com território na Alemanha, Áustria, norte de Itália, Nápoles, Sicilia e partes de França). Carlos V, marido de Isabel, não estava em Toledo aquando da prematura morte da sua mulher que o terá afectado de tal forma que nunca mais casou e vestiu-se de preto nos restantes dezanove anos da sua vida. Isabel morreu um dia depois de dar à luz a sua sexta criança, João da Áustria, que também não sobreviveu. 

Em compensação o seu primogénito, com onze anos à data da morte de sua mãe, sobreviveria 60 anos mais e morreria Rei de Espanha, de Portugal (que herdou por via materna), de Nápoles, da Sicilia, e ainda Imperador de territórios que se estendiam por todos os continentes, incluindo as ilhas mais orientais da Ásia a que deu o (seu) nome de Filipinas. Durante a sua vida o primeiro filho de Isabel de Portugal, foi também Senhor das dezassete províncias dos Países Baixos e temporariamente Rei da Inglaterra e da Irlanda (por casamento com a Rainha Maria I de Inglaterra).

19 dezembro, 2015

Pormenores #128

Na Torre de Belém, cuja construção foi iniciada em 1515,
a esfera armilar (símbolo de D. Manuel) e a cruz de Cristo simbolizaram a união dos poderes político e religioso à época dos descobrimentos.
Hoje resultam na inversão de um conhecido símbolo moderno.

02 maio, 2012

Foi neste dia #174 (1458)

Leonor, infanta de Portugal, nasceu em Viseu há 554 anos. Filha do infante Fernando duque de Viseu (filho do rei D. Duarte da ínclita geração) e da infanta Beatriz de Portugal (filha do infante João também da ínclita geração), Leonor casou com o seu primo em segundo grau, o futuro D. João II em 1470. Ela com 12 anos ele com 15. Reza a história que Leonor e João passaram bastante tempo juntos na infância e que eram bons amigos.

Em 1481 Lenor tornou-se rainha consorte após a morte do seu sogro D. Afonso V. Em 1491, por morte de seu filho Afonso, principe herdeiro e o único dos seus filhos que sobreviveu até à idade adulta, Leonor viria a ter um papel decisivo na história de Portugal. João II tentou até ao fim de sua vida legitimizar Jorge, duque de Coimbra, seu filho com Ana de Mendonça, mas Leonor opôs-se terminantemente a tal solução apelando ao papa, que lhe deu razão. O ciúme talvez tenha contribuído para a sua oposição, mas o facto de seu marido ter perseguido e executado o seu irmão mais velho Diogo, em 1484, e o seu cunhado Fernando (marido da sua irmã mais nova Isabel) em 1483, também deve ter ajudado.

Leonor sobreviveu a seu marido por mais trinta anos e em 1495 viu o seu irmão mais novo Manuel subir ao trono. Deixou obra e legado, nos quais se destacam a fundação do Hospital de Todos os Santos, do Hospital Termal das Caldas da Rainha (cidade cujo brasão de armas é ladeado pelos emblemas de Leonor e João) e ainda a construção do Convento da Madre Deus em Xabregas que aloja hoje o Museu Nacional do Azulejo.

Como tantas princesas e rainhas, Leonor ficou definitivamente marcada na história de Portugal, mas terá sido feliz?

22 abril, 2013

Foi neste dia #198 (1500)

Desembarque de Cabral em Porto Seguro, Oscar Pereira da Silva, Museu Paulista

Há 513 os Portugueses chegaram a Porto Seguro no Brasil a bordo da segunda armada da Índia comandada por  Pedro Álvares Cabral. 

Neste dia o experiente navegador Nicolau Coelho desembarcou para estabelecer contacto com as populações indígenas com quem trocou presentes. A famosa carta de Pêro Vaz de Caminha, o escrivão que relatou o descobrimento a D. Manuel I, foi datada a 1 de Maio de 1500 e levada ao rei num dos navios da armada que iniciou a viagem de regresso à pátria no dia seguinte. 

Caminha, seguiu na expedição que chegou a 13 de Setembro a Calecute, onde tomou o posto de escrivão da feitoria. Ali viria a morrer em meados de Dezembro do mesmo ano num ataque surpresa à feitoria onde morreram 50 portugueses.

02 julho, 2013

Foi neste dia #207 (1932)

Há 81 anos morria em Londres o rei desventurado que sucedeu ao trono após o assassínio do seu pai e irmão mais velho. Lá permaneceu por dois conturbados anos antes de herdar o título inglório de último rei de Portugal. D. Manuel II tinha 42 anos e não tinha descendencia.

20 janeiro, 2014

Foi neste dia #227 (1554)

Há 460 anos, este foi um dia de esperança em Lisboa pois nascia D. Sebastião. O desafortunado rei foi desejado antes de nascer, por falecimento do seu pai o príncipe herdeiro João Manuel a 2 de Janeiro de 1554: desejava-se que fosse rapaz e que sobrevivesse! Foi ainda mais desejado depois do seu trágico desaparecimento a 4 de Agosto de 1578 na batalha de Alcácer Quibir sem deixar descendencia e deixando o país na maior crise dinástica da sua história: desejava-se, ou esperava-se, que regressasse numa manhã de nevoeiro montado num cavalo branco.

O impacto do sebastianismo foi muito além do amarfanhado espírito nacional que viria a ser parcialmente restabelecido com a restauranção da independência em 1640. Portugal tornou-se melancólico de um passado não distante em que tudo era melhor, mas também de um futuro, por demais utópico, que nunca se viria a concretizar.

Fica o retrato do jovem rei na Mensagem de Fernando Pessoa.
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D. Sebastião

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?