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22 julho, 2026

Parece que estou a ouvir #539

Luís Represas (1956-2016) outro grande belenense!
Memórias de um beijo
Trovante, Terram Firme, 1987

Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular
Quem disse
Que há hora e momento p'ra se amar?

Lembras-me uma enchente de maré
Com a calma matinal
Quem foi, quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são 
Os sorrisos que queremos rever 
Devagar

Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo ou espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar

As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são 
Os sorrisos que queremos rever 
Devagar

Quem foi que provocou vontades,
E atiçou as tempestades,
E amarrou o barco ao cais?

Quem foi que matou o desejo,
E arrancou um lábio ao beijo,
E amainou os vendavais?

As memórias são 
Como livros escondidos no pó
As lembranças são 
Os sorrisos que queremos rever 
Devagar
Devagar

15 abril, 2026

Sem título #389

Vicente Lucas, o símbolo vivo do Belém

04 janeiro, 2021

Parece que estou a ouvir #323

Adeus Carlos do Carmo, Belenense
Estrela da trade
Letra Ary dos Santos
Cantada aqui por Carlos do Carmo

Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
Tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
Na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhamos tardamos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
Tardaste o sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite
Para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me adormeceram
Dos noturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite
Uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, ou se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto

28 maio, 2020

17 março, 2020

Parece que estou a ouvir #309

Pedro Barroso 1950-2020
(Outro grande *GRANDE* Belenense)
Menina dos olhos d'agua
Pedro Barroso

Menina em teu peito sinto o Tejo
E vontades marinheiras de aproar

Menina em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar


Menina em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

Aprendi nos 'esteiros' com Soeiro
E aprendi na 'fanga' com Redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
E sinto o mundo inteiro no teu colo

Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
E dás rumo à fragata que escolhi

Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

23 setembro, 2019

Foi neste dia #342 (1919)

100 anos de rapazes da praia
Parabéns Belenenses!

08 agosto, 2019

Foi neste dia #335 (2009)

Há dez anos, morria em Lisboa Raúl Solnado, grande belenense. De tantos momentos memoráveis, ficou-me na memória o número da Guerra de 1908. 

01 maio, 2019

29 janeiro, 2018

Foi neste dia #323 (1928)

Há 90 anos era inaugurado o mítico Estádio das Salésias (re-baptizado Estádio José Manuel Soares em 1937 em homenagem a Pepe, falecido em 1931)...
... que isso seja um bom presságio hoje, no Restelo.

25 novembro, 2017

10 maio, 2017

Sem título #88

Baptista-Bastos (belenense!) 27.2.1934 - 9.5.2017
Ser do Belenenses (desculpem a presunção) é habitar um território de afectividades electivas: como pertencer a uma nação permanentemente movida pela esperança e percorrida pelo sopro do sonho.

07 maio, 2017

Coisas bonitas #10

22/12: Belenenses 0 - 1 Sporting (ao vivo no Restelo... não foi bonito)
Hoje em Alvalade (mas eu segui o jogo do estrangeiro):
Entre estes jogos, o Belém somou 9 derrotas, 5 empates e 4 vitórias e substituiu o treinador há pouco menos de três semanas. Hoje foi bonito, o Belém fugiu à potencial despromoção para a Liga de Honra e quebrou o enguiço (de 62 anos!!) ganhando em Alvalade!

17 março, 2017

Coisas que não mudam #393

As alegrias e as desilusões futebolísticas (e do desporto em geral), são tanto maiores quanto menor a probabilidade do resultado em causa. No domingo passado os benfiquistas ficaram muito contentes com a vitória por 4-0 frente o Belenenses na Luz, mas uma vitória do Benfica era o evento mais provável ao início da partida dado que o Benfica jogava em casa e era a equipa mais forte. Tivesse o Belém ganho na Luz (evento de probabilidade bem mais baixa) e talvez os benfiquistas ficassem muito mais desiludidos do que com a derrota que sofreram em Dortmund a 8 de Março que os eliminou da Liga dos Campeões... não falo aqui do jogo que preferissem ganhar, apenas das probabilidades de ganhar cada jogo e das possíveis emoções associadas.

Ora, um jogo que desafiou, e muito, as probabilidades aconteceu também a 8 de Março para a Liga dos Campeões, quando o Barça venceu o Paris Saint-Germain por 6-1. A qualidade das duas equipas era mais comparável que no jogo Benfica-Belém, mas as probabilidades estavam contra o Barça que, apesar de jogar em casa, só poderia continuar na competição se superasse a desvantagem de 4 golos da primeira mão jogada em Paris três semanas antes. Um artigo da The Economist desta semana analisa este jogo em termos da teoria das probabilidades. Jamais na história da Liga dos Campeões (desde 1955) outra equipa tinha conseguido superar tal défice de golos e apenas oito conseguiram superar défices de 3 golos da primeira mão fora (3-0 ou 4-1), obtendo depois em casa a reviravolta. O caso do Barça é ainda mais espantoso porque até ao minuto 87 o resultado era 3-1, ou seja, para passar à fase seguinte o Barça teria de marcar mais três golos. Se a probabilidade de marcar 5 golos em 90 minutos era baixa, a probabilidade de marcar 3 golos em 3 minutos mais descontos mais ainda baixa seria... mas aconteceu. 

Não sendo uma final, ainda assim foi um jogo que deu para bastantes emoções. A reacção dos adeptos foi de tal ordem que a terra tremeu nas imediações do estádio, nas ruas os carros e as motas não pararam de apitar tão cedo, o trânsito na rambla foi cortado devido ao mar de adeptos que festejavam junto à fonte de canaletas com bandeiras, cachecóis, saltos, gritos e canções. Em campo, os atletas cansados de um intenso jogo de 95 minutos correram em euforia para celebrarem juntos. O emocionante relato no estádio deu em gritos e lágrimas. Não resisti à comparação deste relato com outro igualmente emocionante que não me passará da memória tão cedo... e não cansa ouvir ;-)
The joys and woes of football (aka soccer, and of sports in general) are greater, the lower the odds overcome. Recent major events in American sports history were marked by several overcoming odds: down 3-1 games, the Chicago Cubs won the 2016 World Series against the Cleveland Indians; similarly the Cleveland Cavaliers overcame a 3-1 game deficit against the Golden State Warriors in the 2016 NBA finals; in the 2017 Super Bowl the New England Patriots overcame a 9-28 score in the third quarter to win in overtime 34-28. Fans rejoiced ecstatically in wins they no longer thought possible.

Another game that very much defied the odds was last week's Champions League game on March 8, when Barça won 6-1 over Paris Saint-German. The quality of the teams was pretty much leveled, but the odds were against Barça, who was playing home but could only continue in the competition if it overcame a 4-0 loss from the first round match played in Paris three weeks earlier. An article in this week's The Economist looks at that game from the perspective of probability theory. Never in the history of the Champions League (since 1955) had a team surpassed such goal deficit from the first round and only 8 teams in total overcame deficits of 3 goals from the first leg away (3-0 or 4-1), turning it around in the home game on the second leg. Barça's case is even more unusual because until minute 87 the score was 3-1, that is, to go on to the next stage Barça would still have to score 3 more goals. If the odds of scoring 5 goals in 90 minutes were low, the probability of scoring 3 goals in 3 minutes plus discounts would be even lower... but it happened.

Though it wasn't a final, the game was full of emotion. The fans reaction triggered an earthquake near the stadium, on the streets the cars and motorbikes made noise until late, traffic on La Rambla was shut down near fuente de canaletas where large crowds celebrated with flags, scarves, jumps, screams, and songs. On the field, after an intense 95 minute game the tired athletes ran euphorically to celebrate together. The emotional narration on the radio included screams and tears. I couldn't resist to the comparison of this narration with that of another equally emotional game that will not soon leave my memory... can't get tired of listening ;-)

18 janeiro, 2017

Sem título #86

A distância permite-nos relativizar o choque, as paixões, as angústias e pôr em perspectiva os factos e os sentimentos. É verdade. Por isso talvez ainda não tenha passado o tempo suficiente.
Não passou, porque apesar de ser uma paz doce a que sinto, ainda desato a chorar em certas alturas só de pensar que era ali que devíamos estar juntos e que me falta um espectador atento e sensato. Esse bom senso que nasce connosco e que não se aprende na escola, nem se herda.
Esta paz doce que me acompanha (acompanhar é o termo) e que preenche uma ausência recente, que o tal tempo me vai ajudando a encarar com mais naturalidade, de vez em quando cede e deixa espaço a uma dor que não tem comprimido ou xarope que alivie.
O dia 15 passou, o Belenenses ganhou, o mundo vai girando sem tréguas nem compaixão mas, como já sabia, por muitas saudades que tenha não as mato Pai.

15 janeiro, 2017

Retirado do contexto #226

O Belenenses quebra o jejum das vitórias e ganha ao Rio Ave
no Restelo em dia de Santo Amaro!

22 dezembro, 2016

04 setembro, 2016

Vou falar-vos do meu Pai


Nos últimos dias tenho pensado nisto. O que diria a alguém que não o conheceu e, por infortúnio da sorte, já não o poderá fazer.

E isto não é nada fácil. Pois se para vocês talvez seja o tio,  o cunhado, o primo, o chefe, o vizinho, o amigo, para mim é aquele que não poderei substituir: o meu Pai.

O meu Pai foi uma pessoa séria, reservada, leal, obstinadamente organizada, de ideias fixas e que raramente mudava de opinião. Muitas das discussões que tivemos deveram-se sobretudo a isso. Acho que também nisso éramos parecidos.

Um misto de emoções assola-me nos últimos (longos) dias. Se por um lado, e de forma egoísta, ainda não consigo acreditar que nunca mais vou sentir aquelas mãos papudas em festas desajeitadas na minha cabeça, ou pesadas em cima dos meus ombros, por outro quero muito acreditar que há certamente uma grande festa num sítio muito melhor que este onde vivemos, com reencontros de pessoas também muito saudosas dele e que de lá vai acompanhando o que deixou precocemente cá por baixo.

Mesmo assim, o facto de saber que transporto o mesmo nome e que, ainda por cima, temos algumas semelhanças, é uma enorme herança e responsabilidade.

Sei que continuarei a ver-te nas coisas bonitas, nos pratos apetitosos (nos da mãe sempre), nas praias calmas, nas discussões com polícias, nas gravatas azuis, nos dias em que o Belenenses ganhar (e nos que perder também, fica descansado) e quando for preciso falar para evitar injustiças.

Acho que cresci Pai, mas era cedo, muito cedo ainda para isso. Já tenho saudades e, apesar de querer muito pensar que há forma de dar a volta, sei que não as mato.

Costumavas dizer “quando se nasce não se calça 40”. Acho que morro a calçar 36/37, mas prometo que disso não desço.
Beijo

12 abril, 2016

Sem título #59


Em 2014, numa entrevista à revista Sábado, Francisco Nicholson disse sobre as suas aristocráticas raízes familiares: "não tenho título nenhum. O meu único título foi ganho pelo Belenenses."

02 dezembro, 2015

Ditto #315

Não é Belenenses quem quer, é Belenenses quem pode.*

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*E eu não só posso, como acabei por ser a feliz premiada com a mítica camisola do Pepe!