Nivá. A descoberta deste verão!
28 julho, 2026
25 julho, 2026
24 julho, 2026
Parece que estou a ouvir #540
Luís Represas... saudade
SaudadeTrovante
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
Chegou hoje no correio a notícia
É preciso avisar por esses povos
Que turbulências e ventos se aproximam
Ahhh, cuidado
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh saudade
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
Foi chão que deu uvas, alguém disse
Mas porém colhe-se o trigo, faz-se o pão
E se ouvimos os contos de um tinto velho
Ahhh, bebemos à saudade
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
E vem o dia em que dobramos os nossos cabos
Da Roca a São Vicente em Boa Esperança
E de poder vaguear com as ondas
Ahhh, saudades do futuro
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade
22 julho, 2026
Parece que estou a ouvir #539
Luís Represas (1956-2016) outro grande belenense!
Memórias de um beijoTrovante, Terram Firme, 1987
Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular
Quem disse
Que há hora e momento p'ra se amar?
Lembras-me uma enchente de maré
Com a calma matinal
Quem foi, quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal
As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são
Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular
Quem disse
Que há hora e momento p'ra se amar?
Lembras-me uma enchente de maré
Com a calma matinal
Quem foi, quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal
As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever
Devagar
Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo ou espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar
As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são
Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo ou espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar
As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever
Devagar
Quem foi que provocou vontades,
E atiçou as tempestades,
E amarrou o barco ao cais?
Quem foi que matou o desejo,
E arrancou um lábio ao beijo,
E amainou os vendavais?
As memórias são
Quem foi que provocou vontades,
E atiçou as tempestades,
E amarrou o barco ao cais?
Quem foi que matou o desejo,
E arrancou um lábio ao beijo,
E amainou os vendavais?
As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever
Devagar
Devagar
Devagar
21 julho, 2026
Palavras lidas #653
Nasce o sol e não dura mais que um dia
Gegório de Matos
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas, no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gegório de Matos
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas, no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
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19 julho, 2026
18 julho, 2026
17 julho, 2026
Espantos #724
Quando a Ryanair não voa mais para os Açores...
... continua a publicitar os Açores e a dar negócio a outros.
16 julho, 2026
12 julho, 2026
11 julho, 2026
Palavras lidas #652
Outgrown
Penelope Shuttle
It is both sad and a relief to fold so carefully
her outgrown clothes and line up the little worn shoes
of childhood, so prudent, scuffed and particular.
It is both happy and horrible to send them galloping
back tappity-tap along the misty chill path into the past.
It is both a freedom and a prison, to be outgrown
by her as she towers over me as thin as a sequin
in her doc martens and her pretty skirt,
because just as I work out how to be a mother
she stops being a child.
Penelope Shuttle
It is both sad and a relief to fold so carefully
her outgrown clothes and line up the little worn shoes
of childhood, so prudent, scuffed and particular.
It is both happy and horrible to send them galloping
back tappity-tap along the misty chill path into the past.
It is both a freedom and a prison, to be outgrown
by her as she towers over me as thin as a sequin
in her doc martens and her pretty skirt,
because just as I work out how to be a mother
she stops being a child.
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06 julho, 2026
04 julho, 2026
Parece que estou a ouvir #538
Cantar de Emigração
Adriano Correia de Oliveira (música)
Adriano Correia de Oliveira (música)
Rosalía de Castro (poema)
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão.
Tens em troca órfãos e órfãs
Tens campos de solidão.
Tens mães que não têm filhos
Filhos que não têm pai.
Coração que tens e sofre
Longas ausências mortais.
Viúvas de vivos mortos
Que ninguém consolará.
Este parte, aquele parte
E todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão.
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão.
Tens em troca órfãos e órfãs
Tens campos de solidão.
Tens mães que não têm filhos
Filhos que não têm pai.
Coração que tens e sofre
Longas ausências mortais.
Viúvas de vivos mortos
Que ninguém consolará.
Este parte, aquele parte
E todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão.
03 julho, 2026
02 julho, 2026
Palavras lidas #651
A Velhice
by Rolf Jacobsen (trad. Amadeu Baptista)
Agradam-me os mais velhos.
Sentam-se por ai e olham-nos e não nos veem
e sempre metidos em si,
como os pescadores nas ribeiras dos grandes rios, imóveis como pedras
sob a noite estival.
Agradam-me muito os pescadores nas ribeiras dos rios e os velhos e os que saem à rua após uma longa enfermidade.
Têm algo nos olhos
que o mundo já não vê,
os velhos, como convalescentes
cujos pés ainda não são suficientemente fortes e seguros
e com a face pálida e anteriormente febril.
Os velhos
que voltam a ser eles mesmos lentamente
e se dissolvem lentamente,
como o fumo, e imperceptivelmente se transformam
em sonho
e luz.
by Rolf Jacobsen (trad. Amadeu Baptista)
Agradam-me os mais velhos.
Sentam-se por ai e olham-nos e não nos veem
e sempre metidos em si,
como os pescadores nas ribeiras dos grandes rios, imóveis como pedras
sob a noite estival.
Agradam-me muito os pescadores nas ribeiras dos rios e os velhos e os que saem à rua após uma longa enfermidade.
Têm algo nos olhos
que o mundo já não vê,
os velhos, como convalescentes
cujos pés ainda não são suficientemente fortes e seguros
e com a face pálida e anteriormente febril.
Os velhos
que voltam a ser eles mesmos lentamente
e se dissolvem lentamente,
como o fumo, e imperceptivelmente se transformam
em sonho
e luz.
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