27 fevereiro, 2008
26 fevereiro, 2008
25 fevereiro, 2008
Espantos #92
Harvard está a pensar restringir os horários de ginásio para responder a uma petição de alunas muçulmanas que não se sentem à vontade em fazer exercício na presença de homens. A título de experiência, a universidade estabeleceu um periodo de seis horas por semana em que não é permitida a entrada de homens no ginásio. Os resultados da experiência vão ser avaliados em breve e os novos horários podem entrar definitivamente em funcionamento depois do spring break.Obviamente que não é por seis horas por semana a menos no ginásio que os alunos de Harvard vão perecer irremediavelmente, mas a intrusão na liberdade que cada um tem em escolher hora para ir ao ginásio parece-me no mínimo absurda. Se Harvard está tão preocupada com a saúde física das suas alunas muçulmanas que, por escolha propria, não fazem exercício em ginásios mistos, então porque não lhes oferece uma assinatura num ginásio só para mulheres, tipo Healthworks for Women? Não só respeitaria a minoria religiosa, o que lhe fica muito bem, mas não afectaria a liberdade dos outros alunos de Harvard... afinal de contas não são todos alunos?
Não sou a favor do feminismo, nem da repressão religiosa, mas francamente... há qualquer coisa que não me soa bem quando religião é desculpa para segregação.
Sede...
Come to the waterO let all who thirst,
And let all who seek,
And let all who toil,
And let all the poor,
24 fevereiro, 2008
Ditto # 62

"Talvez tudo fosse diferente se os políticos tivessem de responder, com os seus bens, pelas dívidas de que são responsáveis"
António Barreto, hoje, no Público
23 fevereiro, 2008
22 fevereiro, 2008
Num país a fingir #15
Palavras lidas # 42

(pág. 13)
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* Pai de Álvaro Cunhal
21 fevereiro, 2008
20 fevereiro, 2008
Numa sala perto de mim #48
As imagens de estradas com buracos, de carros a caír aos bocados, de casas degradadas, de (muita) ferrugem por todo o lado, são acompanhadas por um belissimo ritmo de instrumentos caribenhos e por vozes entoando canções de outros tempos. Os personagens vão contando a sua história: onde nasceram, em que condições, como viveram, como se dedicaram à música, etc. Vejo neles figuras que poderiam ser do meu avô que também teve uma vida difícil e até tinha interesse pela música e por modas antigas. A diferença é que pelas ruas, velhos e novos conheciam aquelas canções, como se tivessem parado no tempo e não tivessem aprendido outras. Sem nunca lá ter estado, tive a sensação que tudo tinha parado em Havana: as estradas, os prédios, os carros, foram certamente bonitos, em tempos, mas com o passar dos anos não viram mais tapetes de alcatrão, ou obras de conservação.
Um edifício, no entanto, estava altamente conservado. Tinha aspecto de teatro antigo (tipo S. Carlos), com altos tectos de estuque trabalhado, colunas de talha dourada e uma escadaria larga e imponente que a equipa de filmagem subiu mostrando as alcatifas aspiradas e as cores vivas das paredes. O piso de cima era enorme e amplo. Decorriam ali aulas de ballet para crianças (todas meninas) que não deviam ainda ter 10 anos. A um canto um piano e um pianista (com 80 anos) que era um dos mais dotados músicos do club. E comecei a pensar que era uma nobre profissão tocar piano para aulas de ballet, mas seria essa a melhor ocupação para aquele altamente qualificado recurso humano? Estaria aquele edifício a ser empregado da melhor maneira? Numa economia onde o mercado não funciona as distorções são brutais! Depois pensei que se o mercado tivesse funcionado desde 1959, talvez as músicas antigas ainda existissem, mas não nas bocas de toda a gente. Morreriam com os músicos um a um e passariam certamente ao lado da sociedade de consumo virada para o que é novo e actual, num perpétuo movimento de evolução natural. O filme termina com a passagem do grupo pelo Carnegie Hall em Nova Iorque e com as impressões de vários dos músicos sobre o que vêem e ouvem nas ruas da cidade. Ficaram-me as expressões:
actividade, actividade, actividade, isto é cheio de vida!
quem me dera poder trazer a minha senhora para ver tudo isto!
já viste aquele belissimo prédio?
A propósito de Fidel e das escolhas que fez por um país durante tantos anos... ficou a música conservada, mas trazida para o exterior por estrangeiros; ficou o deprimente atraso pelas ruas; e ficaram pessoas a pagar por isso. Serão porventura felizes (talvez mais), mas não lhes foi dado a escolher o caminho da felicidade... é como passar um atestado de estupidez às populações: assumir que não são capazes de fazer as suas escolhas e, pior que isso, condená-las a uma vida de sacrifício... serão, eventualmente, mais felizes e terão boa música, nada mais.
* Felizmente Wim Wenders fez o filme para que o registo ficasse para sempre imortalizado já que as pessoas, essas, não podem durar sempre: numa breve busca vi que desde 1999, seis dos membros do club já morreram.
Espantos #90

Palavras lidas # 41

Havia um Portugal adormecido e alguns portugueses terrivelmente acordados. Tudo apontava para uma história convulsa, e Portugal conheceu-a: a mais longa ditadura da história europeia, filha deste Portugal bloqueado e triste. O homem que a exerceu foi um ex-seminarista, professor de Finanças de Coimbra (...). Temia que o frágil Portugal se dilacerasse face aos fortes da Europa e por isso fechou-o num casulo. Odiava a desordem e o progresso, era hábil, astuto, manhoso e autista. A ele se opuseram os políticos e os generais da República (...) mas não foram capazes de o vencer.
Quem o conseguiu, ou quem mais se aproximou, sozinho, de o conseguir, foi um jovem estudante vindo do mesmo Portugal central, que nasceu no mesmo Portugal de Salazar e que escolheu para si uma vida totalmente diferente da vida da esmagadora maioria dos portugueses do seu tempo. (...) No fim do século, ambos representam as duas faces do Portugal do século XX e a sua história contraditória.
(pág. 5)
Espantos #89
Espanta-me ainda a origem das palavras ou expressões em várias línguas. Por exemplo, em Português dizemos "ovo estrelado" não sei se por ter a ver com estrela, mas sem muito a ver com o dito; em Inglês diz-se "sunny side up eggs" definitivamente a ver com a aparência do ovo e com certas ligações a uma tal estrela...19 fevereiro, 2008
Num país a fingir #14

Patricídio
"As leis são como os filhos, ganham vida própria" diz o presidente, ex-ministro, António Costa que tendo assumido a paternidade da Lei das Finanças Locais, vê, ao abrigo da filha, chumbado o empréstimo da Câmara Municipal de Lisboa a que hoje preside. Espantoso, não?
Ai Costa, "a vida cooooosta"...
Memórias # 12

Nunca tive medo de trovoadas, nunca tremi com um relâmpago. Confesso até que, se estiver em casa, é um espectaculo que gosto de ver e ouvir.
O céu cortado por um raio de luz seguido de um rugir grosso (que quando muito próximo até faz tremelicar os vidros das janelas) faz-me sentir pequenina mas maravilhada com a perfeição da natureza. Sempre foi assim.
Mas lembro-me bem de muitas vezes, e ainda sem perceber bem o que uma trovoada significava, ver fechar portas e postigos, janelas e portadas, ficando a casa completamente às escuras, pois até era "perigoso mexer nos interruptores" e acendiam-se velas e tapavam-se ouvidos (se calhar baixinho até se rezava a Sta. Bárbara), como se isso nos afastasse daquele fenómeno que eu, às escuras e às escondidas, espreitava lá fora.
18 fevereiro, 2008
17 fevereiro, 2008
Numa sala perto de mim #47
Teresa (after seeing Philip's leg is no longer casted): How is your leg?
Parece que estou a ouvir #48
See the WorldDay to day
Where do you want to be?
cose now you're trying to pick a fight
With everyone you need
You seem like a soldier
Who's lost his composure
You're wounded and playing a waiting game
In no-man's land no-one's to blame
See the world
Find an old fashioned girl
And when all's been said and done
It's the things that are given, not won
Are the things that you want
Empty handed, surrounded by a senseless scene
With nothing of significance
Besides a shadow of a dream
You sound like an old joke
You're worn-out, a bit broke
An' askin me time and time again
When the answer's still the same
See the world
Find an old fashioned girl
And when all's been said and done
It's the things that are given, not won
Are the things that you want
You've got a chance to put things right
So how's it going to be?
Lay down your arms now
And put us beyond doubt
So reach out it's not too far away
Don't mess around now, don't delay
See the world
Find an old fashioned girl
And when all's been said and done
It's the things that are given, not won
Are the things that you want
16 fevereiro, 2008
No Times de hoje #58
Mais um infeliz episódio de tiroteio numa universidade norte-americana. O artigo do Times de hoje centra-se essencialmente em tentar compreender o que leva um bom aluno, sem sinais de isolamento ou demência a cometer um acto destes. É sem dúvida um exercício interessante e que merece ser investigado: venham os psicólogos, os sociólogos e, eventualmente os antropólogos.Agora, será esse o caminho para impedir que tais actos venham a repetir-se no futuro? Virginia Tech aconteceu há menos de um ano e volta não volta lá aparece algum louco no parque de estacionamento de um centro comercial, ou num posto dos correios a fazer o mesmo. E não se vê absolutamente debate nenhum acerca de uma das maiores inconsistências deste país: o livre acesso às armas. Gente doida (ou que endoidece rapidamente) há em toda a parte, mas só se vêm coisas destas por aqui!
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In a stark, puzzling contrast to the usual image of a rampaging gunman, Mr. Kazmierczak, 27, was described Friday as a successful student — “revered,” the authorities said, by his professors — who had served as a teaching assistant and received a dean’s award as an undergraduate here at Northern Illinois University, where he returned Thursday, killing himself and five students and wounding 16 others.
(...)
15 fevereiro, 2008
Parece que estou a ouvir #47
Goodnight GoodnightMaroon 5
14 fevereiro, 2008
Retirado do contexto # 40
Cada vez mais tenho a certeza: o comportamento dos homens é o espelho da educação em criança.
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Pena é que os pais não tenham uma segunda oportunidade. Seriamos certamente muito melhores.
13 fevereiro, 2008
I could have...
12 fevereiro, 2008
Vile
11 fevereiro, 2008
No Times de hoje #57
Ontem foi a noite em que Amy Winehouse ganhou 5 grammys. Depois de ter finalmente dado entrada numa clínica de reabilitação (i.e. desintoxicação de toxicodependentes), Amy viu ser-lhe negado o visto de entrada nos EUA para assistir à cerimónia em Los Angeles. A organização do evento decidiu ainda assim, ter Amy Winehouse no evento via videoconferência a partir de Londres.Palavras lidas # 39

- Rafael Monteiro? Ah, sim... já estou a ver! Veio ontem. E é amigo do senhor engenheiro?
- Amigo de infância.
- Ah, claro! Todos temos amigos de infância, às vezes esquisitos, nao é? - O inspector passou os dedos pelas pontas do bigode, esticando-as.
- Posso perguntar-lhe, senhor inspector, porque está ele preso?
- Para investigação, claro. Só pode ser.
- Para investigação? E como é que investigam, aqui: interrogam-no?
- Pois, é sempre interrogado, procedimento de rotina.
- Sem advogado?
O inspector tossiu.
(...)
- Só lhe quero poupar trabalho, senhor inspector: se suspeita que o dr. Rafael Monteiro tenha actividades organizadas contra o regime, está a perder o seu tempo. Se há coisa que ele desconhece, é o significado da palavra organização.
- Mas é um elemento desafecto ao regime!
- Também eu sou, senhor inspector. Vai-me prender?
(...)
- Não me está a dar nenhuma novidade com essa confissão, senhor engenheiro! se quer que lhe diga, de há muito que sabemos das suas inclinações políticas e só me custa a entender como é que alguém da sua estirpe pode estar do lado dos inimigos do regime.
- Porquê? Ha alguma lei que diga como é que eu devo pensar?
(...)
(págs. 499 a 501)
10 fevereiro, 2008
Numa sala* perto de mim # 46
09 fevereiro, 2008
Palavras lidas #38
There was no recovering Miss Taylor -- nor much likelihood of ceasing to pity her: but a few weeks brought some alleviation to Mr. Woodhouse. The compliments of his neighbours were over; he was no longer teased by being wished joy of so sorrowful an event; and the wedding-cake, which had been great distress to him, was all eat up. His own stomach could bear nothing rich, and he could never believe other people to be different from himself. What was unwholesome to him, he regarded as unfit for any body; and he had, therefore, earnestly tried to dissuade them from having any wedding-cake at all, and when that proved vain, as earnestly tried to prevent any body's eating it.-- Emma, Jane Austen




























