There's something soothing about looking at (and hearing) the sea, and listening to the wind between the mountains... and nothing else.
22 março, 2010
Politeness #9
21 março, 2010
No primeiro dia de primavera, um dos meus preferidos

É março ou abril?
É um dia de solperto do mar,
é um dia
em que todo o meu sangue
é orvalho e carícia.
De que cor te vestiste?
De madrugada ou limão?
Que nuvens olhas, ou colinas
altas,
enquanto afastas o rosto
das palavras que escrevo
de pé, exigindo
o teu amor?
É um dia de maio?
É um dia em que tropeço
no ar
à procura do azul dos teus olhos,
em que a tua voz
dentro de mim pergunta,
insiste:
Se te fué la melancolia,
amigo mío del alma?
É junho? É setembro?
É um dia
em que estou carregado de ti
ou de frutos,
e tropeço na luz, como um cego,
a procurar-te.
Eugénio de Andrade
20 março, 2010
Palavras lidas #122
On Bob Solow:
(...) In his own interview in the same volume, Solow explained his unwillingness to engage with the new classical economists: “Suppose someone sits down where you are sitting right now and announces to me that he is Napoleon Bonaparte. The last thing I want to do with him is to get involved in a technical discussion of cavalry tactics at the Battle of Austerlitz. If I do that, I'm getting tacitly drawn into the game that he is Napoleon Bonaparte.” (...)
pp. 12-3, complete text here
18 março, 2010
Espantos #239
Si no sabes la diferencia entre "haber" y "a ver", no mereces vivir
Description
"Porque ni todo el mundo debería tener direcho a abrir la boca sin el consentimiento de los demás... y porque lápiz y papel deberían ser elementos más elitistas en nuestras vidas"
Outrageous language mishandlings occur everywhere.
17 março, 2010
Palavras lidas #121
Pleno de vida agora, concreto, visível,
Eu, aos quarenta anos de idade e aos oitenta e três dos Estados Unidos,
A ti que viverás dentro de um século ou vários séculos mais,
A ti, que ainda não nasceste, me dirijo, procurando-te.
Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino quanto serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)
Walt Whitman (1819-1892)
Cálamo
(tradução de José Agostinho Baptista)
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Palavras lidas,
Poesia-Poetry
16 março, 2010
Foi neste dia #130 (1521)

Há 489 anos, Fernão de Magalhães chegava às Filipinas, provando que se podia chegar a Leste por Oeste, um passo gigantesco no conhecimento geográfico do século XVI. Foi também nas Filipinas que Fernão perdeu a vida pouco mais de um mês depois, num conflito militar, mas bem poderia ter sido numa tempestade ou para o escorbuto: dos 235 homens que saíram em cinco barcos de Salúncar de Barrameda na Andalusia a 20 Setembro de 1519, 150 chegaram às Filipinas e apenas 18 regressaram a Espanha num barco solitário a 6 de Setembro de 1522. Apesar da morte do comandante e da elevadíssima perda de vidas da tripulação, a expedição foi um "sucesso" e os reis de Espanha apressaram-se (em 1525) a enviar mais uma expedição para o outro lado do mundo com o objectivo de reivindicar as Molucas dos Portugueses... guerrear o vizinho do lado ali à porta não teria tanto interesse.
Tenho acompanhado a viagem de circumnavegação que a Sagres está a efectuar até ao final de 2010 e o diário de bordo nem sempre regista pompa e festa, há momentos bem complicados em que o esforço de equipa e a experiência são as únicas armas contra os perigos do caminho. De qualquer forma, a aventura actual da Sagres faz-me pensar em quão diferente é o mundo de hoje em relação ao de há 489 anos atrás, onde não haviam mapas precisos para delinear o trajecto com antecedência, nem imagens de satélite ou radares que ajudassem a escapar ao mau tempo. Que expedição hoje, onde regressasse 7.6% da guarnição inicial, seria considerada um sucesso? O que nos separa de 1521 é o conhecimento e a tecnologia (sendo que o primeiro é patrocinado pela segunda)... nada mais.
14 março, 2010
Pedaços de Barcelona... não turística
Uma bela tarde pela cidade velha de Barcelona:
ruas estreitas do bairro gótico
claustros da sé
colunas do templo romano
(literalmente escondidas no meio de prédios medievais)
churros de chocolate
(se bem que os normais também sejam muito bons)
chocolate quente
ocasional claustro de palácio antigo
(geralmente parte de museu)
(geralmente parte de museu)
13 março, 2010
Coisas que não mudam #121
Religião vs Razão... a minha primeira experiência de teatro em castelhano (legendado em inglês): El encuentro de Descartes con Pascal joven... ¡fenomenal!
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Arte,
Coisas que não mudam
12 março, 2010
Coisas que não mudam #120

Good news are good news, no matter where you are. We are four and a half time zones away. This was the chat dialog:
D: hey
me: hey there, how are you doing dear?
D: have a minute? Want to share good news with you
me: sure, tell me
(...)
And they were excellent news indeed... CONGRATULATIONS D, and don't forget the happy song!! You know what you have to do ;-)
11 março, 2010
Memórias #40
P: ¿Conocéis la baraja española?
R: ¿Qué es la baraja española?
Só depois de ver as cartas é que me lembrei que sim, que as conhecia e há tantos anos que as não via.
Lembro-me de quando as vi pela primeira vez... eram esquisitas: muito mais vistosas e coloridas que as nossas, com os símbolos a encher quase toda a superfície da carta. De certa forma eram mais intuitivas uma vez que as copas eram copos e não corações, os ouros eram moedas de ouro e não losangos, as espadas eram mesmo espadas e não um coração invertido com um pé, e os paus não se pareciam com flores, mas eram mesmo paus embora mais parecidos com marretas ou bastões, de acordo com a palavra bastos em espanhol. No entanto, o hábito dos símbolos clássicos fazia-me sempre pensar duas vezes qual seria o naipe correspondente nestes. Lá teriam vindo de Espanha com uns caramelos quaisquer que sempre me interessaram muito mais.
Já não me lembro de quem eram as cartas, talvez de um tio que adorava a jogatana, mas que quando jogava se exaltava quase sempre... então se calhava a não ganhar, caía o carmo e a trindade. Mas era divertido vê-lo jogar com os outros tios já velhotes que comunicavam com expressões faciais se tinham muitos trunfos ou de que naipe estavam a corte. Ao fim de cada jogo criticavam-se uns aos outros por deixarem passar vasas imperdoáveis e discutiam complicadas questões de estratégia. Por vezes, durante o jogo, faziam comentários em forma de pista para o parceiro, até que o tal tio lembrava a todos, já exaltado, que o jogo tinha sido inventado por surdos mudos!
Fiquei ontem a saber que o aeroporto de Barajas em Madrid, mais não é que o aeroporto dos baralhos :-)
10 março, 2010
Ditto #146
Excellence can be attained if you care more than others think it's wise, risk more than others think it's safe, dream more than others think is practical, and expect more than others think it's possible.
--Unknown
08 março, 2010
06 março, 2010
Numa sala perto de mim #126

Crazy Heart (2009). Boa história. Fantástica interpretação de Jeff Bridges que nunca esteve tão country. E a música...
05 março, 2010
Palavras lidas #120
"A minha mãe diz que na altura em que eu era bebé lhe doía a boca de me dar beijos. Não me lembro deles mas alguma parte minha deve ter saudades desse tempo porque sinto a falta de qualquer coisa que não sei exprimir, qualquer coisa leve e doce, um contacto, palavras, cheiros, uma espécie de ninho de que eu fosse o ovo feliz, um ovozito de nada, pintalgado, minúsculo."
António Lobo Antunes, esta semana na Visão
04 março, 2010
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