03 setembro, 2009

02 setembro, 2009

Palavras lidas #94

Prólogo da História do Cerco de Lisboa de José Saramago (relendo):

Enquanto não alcançares a verdade,
não poderás corrigi-la. Porém, se
a não corrigires, não a alcançarás.
Entretanto, não te resignes.

Do Livro dos Conselhos

Espantos #214

Retirado do contexto #104

The accent, the sound, and the lyrics put a smile on my face this afternoon :-)

It takes a worried man to sing a worried song
It takes a worried man to sing a worried song
I'm worreid now, but I won't be worried long

01 setembro, 2009

No Times de hoje #102

Mais um erro judiciário, desta vez do mais grave que pode haver: condenar à morte e executar um inocente. As provas da investigação científica surgiram postumamente. Para alguns serve de "consolo" que não deveria ser grande peça... mas quem pode viver com o peso de matar alguém por um crime que não cometeu? Há por aí tanta má peça e não se executam todos.

Mais uma vez no Texas. Mais uma vez com atropelos à justiça. Sobra vergonha e remorso.

Retirado do contexto #103

Barata em português, kakalaka (leia-se kákeláke) em alemão... resultado, uma conversa sobre baratas é muito mais divertida em alemão que em português!

30 agosto, 2009

Espantos #213


The Braid, Auguste Renoir, 1887


Amália canta na rádio local:

De ilusões desvanecidas
Filme de esperanças perdidas
Minha canção é saudade

Ai, que de tranças caídas
Via tudo em cores garridas
Em todos via bondade...

Retirado do contexto #102

We live in a beautiful world
Yeah we do
Yeah we do
We live in a beautiful world!

29 agosto, 2009

Espantos #212

Há dias numa conferência de grande dimensão...

A sala estava cheia o que é pouco comum numa conferência com mais de trinta sessões simultâneas. As poucas cadeiras vagas não estavam directamente acessíveis, obrigando a passar na frente do apresentador ou de pedir a outras pessoas para se levantarem. Entrou atrasado e parou ali perto de olhos postos a audiência para ver onde poderia caber. Fiz contacto visual e perguntei gestualmente se estaria interessado no lugar ao meu lado. Anuiu com um sorriso agradecido e lá me levantei para o deixar passar.

É pena que a transferência de inteligência não se dê por osmose, porque desta forma passei quase duas horas sentada ao lado de um recente prémio nobel. Havia quatro apresentações (de meia hora cada) e a segunda foi de longe a mais interessante de todas, mas também a mais louca coisa do género a que alguma vez assisti. Ora meia hora é um tempo significativamente menor que o tempo de um seminário comum (hora e meia) pelo que a apresentação de qualquer trabalho não pode ser muito detalhada. Este orador não estava convencido disso.

Não trazia slides. À moda antiga pegou no giz (que se partiu vezes seguidas devido ao violento processo de rapidez e força que imprimia à escrita) e escreveu, escreveu, escreveu como se não houvesse amanhã... tudo ao mesmo tempo que falava freneticamente enunciando teoremas e virando a cabeça para trás de cinco em cinco segundos quando perguntava para a audiência sim? para saber se estavam a seguir o raciocínio. Era assim uma coisa surreal, parecia um autómato em passo acelerado: escrevia, apagava e falava aceleradamente, enquanto corria de um lado para o outro da sala para cobrir o quadro de fórmulas e tabelas sem fim. Toda a gente olhava incrédula para o que se estava a passar, menos o senhor que estava ao meu lado que animadamente respondia baixinho sim! e acenava com a cabeça em conformidade. Quando o outro, sem parar de escrever, virava a cabeça para trás num quarto de segundo, este levantava o polegar bem alto em sinal de afirmação, mas claro que o outro já tinha virado a cabeça para frente enquanto continuava a falar e a escrever aceleradamente.

Quando este tinha alguma dúvida cogitava com os seus botões e dava-se a um interessante diálogo de si para consigo. Via-se claramente que um lado do cérebro fazia uma pergunta e o outro lado respondia. Tudo isto numa linguagem ininteligível, todavia audível embora apenas para quem estivesse ali ao lado.

O esforço do orador naquela meia hora não é humanamente possível... a camisa roxa escura ficou compreensivelmente preta no final da apresentação... quase pingava! Ou o rapaz tomou 10 cafés antes da sessão, ou tomou qualquer outra coisa para conseguir debitar aquele material em tão curto espaço de tempo.

Os outros oradores fizeram apresentações com slides e a passo normal... o senhor do lado cabeceava de sono, afinal a sessão sempre era depois do almoço. Em vez de tentar esconder a distracção e concentrar-se olhando para os slides, apenas levantava ligeiramente a cabeça e continuava a ler o paper que tinha à sua frente... de quando em vez substituía-o por outros que tirava de dentro da sua mochila. Se calhar não estava a dormir, mas apenas a meditar na leitura. Sabe-se lá como estas cabeças nobélicas funcionam...

Em relação ao orador nada mais a dizer, mas no final dessas duas horas dei comigo a pensar que as reacções estranhas do senhor do lado (falar sozinho, dormitar no seminário, acordar e ler outra coisa que mais lhe interesse) chocar-me-iam mais há uns anos atrás quando nada disto era normal... agora ainda não o é completamente, mas também já não é anormal.

Espantos #211

Gosto de supermercados. Então quando se está de novo num sítio diferente aprende-se muito mais sobre ele no supermercado local do que ligando a televisão.

Por aqui na secção de enlatados (ou enfrascados) dominam as azeitonas, de todas as cores e tamanhos, com e sem caroço, recheadas, ou em pickles. Para mim tanto se me dá porque não gosto de azeitonas, mas é espantoso ver as prateleiras e prateleiras de variedade. Nunca vivi num sítio assim.

O supermercado também é bom para aprender vocabulário que se lê nas embalagens geralmente muito decoradas com aquilo que as palavras significam. Hoje aprendi algumas palavras novas: garfo é tenedor, colher é cuchara, faca é cuchillo e pêssego é melocotón. Umas vezes o espanhol é próximo do português, outras não :-)

Coisas que não mudam #104

Recently heard:

"It's farily well known that women complain less than men. A man will just say shut the window, while the woman will say aren't you feeling cold?"

Apparently it's an old example... here more widely said.

Num país a fingir # 38

O período de campanha eleitoral custa isto

Retirado do contexto #101

No Times de hoje #101

The mere presence of such historically important works as “The Thinker” or “Mediterranean,” Aristide Maillol’s life-size female nude in marble, anywhere outside the Paris museums they call home is rather miraculous — and a testament to the cachet that Spain’s private and corporate cultural foundations have in the international art world. The exhibition was co-organized with the Musée d’Orsay and was shown there this past spring.

Rodin's art in Madrid until September 13, complete article here.

27 agosto, 2009

Palavras lidas #93

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que isso é senti-lo...

Alberto Caeiro, Poesia

24 agosto, 2009

Parece que estou a ouvir #87


Noa

Smile, without a reason why
Love, as if you were a child,
Smile, no matter what they tell you
Don't listen to a word they say
Cause life is beautiful that way.

Tears, a tidal wave of tears
Light, that slowly disappears
Wait, before you close the curtain
There is still another game to play
And life is beautiful that way

Here with his eyes forevermore
I will always be as close as you
remember from before
Now that you're out there on your own
Remember what is real and
what we dream is love alone

Keep the laughter in you eyes
Soon your long awaited prize
We'll forget about our sorrows
And think about a brighter day
Cause life is beautiful that way.

We'll forget about our sorrows
And think about a brighter day,
Cause life is beautiful that way
There's still another game to play
And life is beautiful that way.

22 agosto, 2009

Caprichos #107

Cozinhar... é preciso!

Espantos #210

Ameixa Rainha Cláudia... sempre gostei, não só porque tem o meu nome (ou eu o dela), mas porque de todas é a mais doce, embora seja a única de cor verde, o que faz adivinhar que será amarga. Mais um caso em que a aparência não vale nada. Esta semana fiquei a saber que em espanhol, catalão, e italiano também partilha o nome próprio embora palavra mude com a língua, claro. Ora aí vai, respectivamente: ciruela claudia, pruna claudia, prugna claudia. Doce em qualquer língua :-)

Espantos #209


Na minha carteira há cartões de metro de Barcelona, Lisboa, Nova Iorque e Boston, bem como de shuttles para o aeroporto e de consumo na padaria local em Nashville.