30 junho, 2006
Num país a fingir # 1
Os problemas de coluna que levam um ministro a demitir-se duram pouco mais de uma tarde, porque amanhã há quartos de final!!
29 junho, 2006
28 junho, 2006
Night calls
Weary with toil, I haste me to my bed,The dear repose for limbs with travel tired;
But then begins a journey in my head,
To work my mind, when body's work's expired:
For then my thoughts, from far where I abide,
Intend a zealous pilgrimage to thee,
And keep my drooping eyelids open wide,
Looking on darkness which the blind do see
Save that my soul's imaginary sight
Presents thy shadow to my sightless view,
Which, like a jewel hung in ghastly night,
Makes black night beauteous and her old face new.
Lo! thus, by day my limbs, by night my mind,
For thee and for myself no quiet find.
(good old) William Shakespeare, Sonnet XXVII
27 junho, 2006
Blue eyes
"The eyes have it: Phil Scolari has a 100 per cent winning record against England"From the article It's that man again, in The Telegraph
A administração central que resolva...
... é o mote que nos habituámos a ouvir em Portugal. Agora a propósito do Estádio do Algarve. Segue a transcrição integral do artigo da TSF:
_______________
Faro e Loulé pedem ajuda para sustentar estádio
Faro e de Loulé querem que a Federação Portuguesa de Futebol ajude a rentabilizar o estádio do Algarve. Cada uma destas autarquias gasta cerca de 900 mil euros para manter o estádio, por isso pedem a intervenção da administração central para evitar o abandono da infra-estrutura.
( 19:54 / 26 de Junho 06 )
Sem equipas de futebol na Primeira Liga para ajudar a manutenção do estádio, aquela infra-estrutura «custa anualmente a cada um dos municípios, 80 mil euros, fora os custos de funcionamento», conta José Apolinário, autarca de Faro.
O presidente da câmara de Loulé, Seruca Emídio, recorda ainda que no parque das cidades, local onde está o estádio, as duas autarquias já cederam gratuitamente terrenos para muitas infra-estruturas públicas de que toda a região vai beneficiar.
«Nós já cedemos gratuitamente o terreno para o hospital central, para o laboratório de Saúde Pública, o terreno para o INEM, que são serviços regionais. Torna-se difícil estarem as duas autarquias a suportar todos estes custos», salienta o autarca.
Por isso, os dois autarcas consideram que a administração central tem de se envolver neste projecto, nomeadamente nas organizações desportivas. À Federação Portuguesa de Futebol, pedem que crie ali um centro de estágios.
E enquanto não há futebol, as duas câmaras organizam espectáculos para rentabilizar os estádios: a 28 de Julho um concerto dos Simple Minds, a 08 e 09 de Agosto o circo acrobático de Pequim.
___________________
Não deixa de ser interessante que as autarquias de Faro e Loulé revelem a mentalidade de adolescente mimado incapaz de resolver os seus problemas... na altura do Euro 2004 eram as autarquias a ver quem dava mais para ter os estádios nos seus concelhos. Agora que já não conseguem dar conta do recado anda tudo "oh tio, oh tio" porque a federação é que tem de fazer um centro de estágios e a administração central tem de estar mais envolvida.
Se a pedinchice ao Estado acabasse e houvesse um esforço efectivo dos sujeitos (neste caso as autarquias) na resolução activa de situações deste género, extinguiam-se metade dos problemas do país!
Só quero ver se as receitas do concerto dos Simple Minds também vão ser parcialmente oferecidas ao Estado.
Etiquetas:
Imprensa-Press,
País a fingir
26 junho, 2006
Foi neste dia #29 (1963)
"Ich bin ein Berliner"... foi há 43 o discurso de John F. Kennedy em Berlim Ocidental. 25 junho, 2006
Wheatfield with crows
24 junho, 2006
Faz-me lembrar qualquer coisa
Dois artigos de jornais luxemburgueses estão na base de um abaixo-assinado por parte dos emigrantes portugueses a residir no Luxemburgo que se sentiram visados pelas críticas que lhes foram então dirigidas: a colocação de bandeiras portuguesas nas janelas demonstra uma falta de respeito pelo país acolhedor e é um sinal da não integração naquele país.
Quem dê uma volta pelos mais variados aglomerados urbanos no dia de hoje vê que não são poucas as bandeiras estrangeiras desfraldadas em janelas portuguesas... pois é!
A globalização também tem destas coisas. Não entremos em histerismos, isto faz-me lembrar uma polémica de há bem pouco tempo e que se tornou num barril de pólvora... recordados?
23 junho, 2006
Efeito Scolari
"Onze homens em campo. Décimo segundo jogador nas bancadas. Mas quando tudo dá certo para Portugal há que agradecer a este homem - Luiz Felipe Scolari. (...)Na verdade, os Portugueses sempre produziram jogadores com qualidade para bater os melhores. Paulo Futre, Vitor Baía, Fernando Couto, Rui Costa, Sérgio Conceição e João Pinto são a nata. Mas Portugal sempre implodiu na pior altura. Perdendo a cabeça contra a França no Euro 2000 e perdendo as estribeiras frente à Coreia há quatro anos, Portugal nunca colheu os benefícios que a geração de ouro prometera. Depois veio Luiz Felipe Scolari. (...)
Através da sua cuidadosa utilização do plantel (...) Scolari conseguiu levar os 23 até aos oitavos sem nenhuma suspensão, apesar de 4 deles terem visto cartões amarelos na noite passada.
Se Sven-Goran Eriksson recebe 5 milhões de libras ($15m) por ano por tomar más decisões, quanto é que Scolari vale?
Provavelmente não tem preço.
Porque se decisões difíceis teem de ser tomadas, Felipão é homem para dar um murro na mesa e fazer o necessário para tudo dar certo.
Ele não é sentimental como o Sueco. Contrariamente ao Sueco, é resoluto. E é um vencedor, batendo o Sueco duas vezes nas duas últimas altas competições.
Este é o homem que não hesita em responder torto a jornalistas, tomando inclusivé as arriscadas decisões de deixar jogadores importantes fora dos convocados.
Antes do Euro 2004, ele foi criticado por chamar Deco, brasileiro que obteve a cidadania Portuguesa apressadamente.
Agora, a peça central do Barcelona é indispensável à selecção nacional. Para a sua missão na Alemanha, deixou de fora Ricardo Quaresma apesar da sua excelente forma no Futebol Club do Porto. Há quatro anos atrás, criou ainda maior escândalo ao não convocar Romário apesar de uma campanha pública para a inclusão do craque no escrete.
Será que Eriksson faria o mesmo com David Beckham ou Rio Ferdinand?
Enquanto o treinador de Inglaterra está a enfrentar uma crise no ataque, perdendo Michael Owen e apenas com três pontas de lança ao seu dispor, Scolari não tem tais problemas, pois trouxe consigo não menos de sete avançados numa clara indicação de que está na Alemanha para atacar, atacar, atacar.
Nem irá arriscar embaraços no campeonato do mundo pela totalmente desnecessária presença de mulheres e namoradas. Enquanto a Inglaterra continua a entreter-se nos seus dias de folga com as suas mulheres, o Sargentão não concede tal privilégio aos seus homens, tendo levado o Brasil ao título em 2002 depois de 60 dias de celibato.
Vénia para Luiz Felipe Scolari. Os seus métodos poderão não ser terrivelmente refinados. Mas funcionam. É metódico, estóico, calculista, frio, matador e finalmente vencedor. Tal como disse uma vez: 'Chegar em segundo lugar é como chegar em último.'
Não há prémio para adivinhar o que Scolari quer na Alemanha."
Passagens do artigo Big Phil is Portugal's lethal weapon, in The Electric New Paper
Numa sala perto de mim *12
Apesar da incoerência central que tem a ver com a intrigante noção de tempo, a sequência da história é consistente. Vale ainda a pena ver The Lake House pelas lindas imagens da cidade de Chicago! Recomenda-se, especialmente a arquitectos.22 junho, 2006
Rituais
Chá JaponêsA cerimônia do chá no Japão - “Chado” (Caminho do Chá) ou “Chanoyu” (água quente para o chá) - foi desenvolvida a partir dos conceitos de contemplação, purificação e elevação do espírito do Zen Budismo. Os quatro princípios do “Chado” são:
- WA: Harmonia
- KEI: Respeito
- SEI: Pureza
- JYAKU: Tranquilidade
O principal objetivo da cerimônia do chá é elevar o espírito de todos os participantes. A cerimônia do chá não pode ser realizada sem estudo e preparação. Os mestres da cerimônia do chá estudam durante anos. Não basta servir o chá, é preciso conhecer cada um dos símbolos usados, cada um dos movimentos, o significado dos diferentes tipos de incenso, dos diferentes pratos servidos. Cada objeto e detalhe da cerimônia do chá precisa ser cuidadosamente escolhido e preparado: o tipo da louça, as flores usadas, o incenso que será queimado, os lenços de seda bordados, as tigelas de chá. Todos os itens são escolhidos de acordo com a época do ano, a estação, a solenidade do evento, a atmosfera que se deseja criar.
O principal objetivo da cerimônia do chá é elevar o espírito de todos os participantes. A cerimônia do chá não pode ser realizada sem estudo e preparação. Os mestres da cerimônia do chá estudam durante anos. Não basta servir o chá, é preciso conhecer cada um dos símbolos usados, cada um dos movimentos, o significado dos diferentes tipos de incenso, dos diferentes pratos servidos. Cada objeto e detalhe da cerimônia do chá precisa ser cuidadosamente escolhido e preparado: o tipo da louça, as flores usadas, o incenso que será queimado, os lenços de seda bordados, as tigelas de chá. Todos os itens são escolhidos de acordo com a época do ano, a estação, a solenidade do evento, a atmosfera que se deseja criar.
20 junho, 2006
19 junho, 2006
18 junho, 2006
Incoerências
Muitos estudos surgirão, certamente, acerca do novo estatuto da Catalunha e dos novos poderes autonómicos, cuja relevância enche de orgulho os mais convictos autonomistas!! Parece-me, contudo, e francamente surpreende-me, que o referendo de hoje se tenha tratado de uma oportunidade desperdiçada pelos catalães. Segundo os dados existentes aderiu ao referendo de hoje menos de metade dos eleitores inscritos. Em matéria tão importante convenhamos que este número não se conforma com o expressivo "Sim" que saíu das urnas: mais de 70% dos votos apurados!!
Não pode deixar de causar surpresa que metade da população esteja tão convencida do benefício do aprofundamento da autonomia da sua Região e a outra tão desinteressada do seu destino.
17 junho, 2006
Do que me lembrei esta tarde ...
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...)
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
Às normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
No ser sedento da justiça ou capitão da cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-me com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior para ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte,
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona na sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovitam
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma; sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.
(Álvaro de Campos)
Aquele homem, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...)
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
Às normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
No ser sedento da justiça ou capitão da cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-me com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior para ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte,
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona na sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovitam
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma; sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.
(Álvaro de Campos)
15 junho, 2006
Ditto #3
14 junho, 2006
Os +

Uma vez sem exemplo, porque acho que o que é demais enjoa, e ainda o mundial tem apenas 8 dias, achei graça e permito-me transcrever alguns dos slogans das selecções participantes que o Expresso divulgou este fim-de-semana:
Argentina: "Levantem-se, a Argentina avança"
Coreia do Sul: "Uma lenda sem fim, uma Coreia unida"
Holanda: "Laranja no caminho do ouro"
Inglaterra: "Uma nação, um troféu, onze leões"
Suiça: "2006 é a hora da suiça"
nós: "À janela uma bandeira, no relvado uma nação inteira, Força Portugal"
e para mim o melhor slogan deste mundial ... o Brasil:"Veículo monitorado por 180 milhões de corações brasileiros"
Subscrever:
Mensagens (Atom)






