19 dezembro, 2010

Pedaços de Madrid

Nas duas tardes (uma delas, tarde/noite) que andei pela cidade, vi que Madrid tem...

O enorme Paseo de la Castellana

à beira do qual surge o Estádo Santiago Barnabéu

com visitas guiadas e tudo (onde é que eu já vi isto?)

a fazer lembrar uma gigantesca Liberdade, o Paseo desce

com casas apalaçadas

e prédios com estátuas de bronze no topo

menos, ou mais modernos

até chegar à Plaza Colón

bem perto da sumptuosa Biblioteca Nacional.

Madrid tem ainda muitas fontes


a monumental catedral de Almudena

Puerta de Alcalá

de dia e de noite

Plaza del Sol

com o Tio Pepe, de dia e de noite

com as suas lojas de compra e venda de ouro

e apregoam na rua (quais ardinas) COMPRO ORO!

de dia ou de noite

excentricidades loucas a fazer lembrar as americanas
(fachada de um dos muitos El Corte Inglés)

chegada à Plaza Mayor, de dia

e de noite

Plaza Mayor, uma verdadeira feira/disneylandia de natal, apinhada de bancas de venda de souvenirs de natal de toda a espécie e feitio. A praça é encantadora e bem diferente de qualquer que alguma vez vi. É apenas acessivel por arcadas e dá a sensação de estarmos num enorme pátio interno de edifícios antigos e uniformes. No entanto, fiquei um pouco desiludida... diga-se que estupidamente. Ex post, a tontice foi assumir que pelo nome Plaza Mayor se tratava de uma praça GRANDE. Não esperava propriamente uma Tiananmen, mas quem sabe um Terreiro do Paço ou um Rossio... no final de contas sai-me uma praça bem mais pequena, que ainda mais pequena parece de atulhada que está. De qualquer forma, realço o meu engano: o nome não é Plaza Grande, mas Plaza Mayor.

de dia e de noite

E por todo o lado, nesta altura do ano, se vê a venda das cautelas do El Gordo

e apregoam gritando, quais ardinas (outra vez!)

¡YO TENGO EL PREMIO!

e há filas e filas de gente para comprar cautelas nas lojas de lotarias e apostas do Estado.

Nesta época Madrid tem também muitas luzes, presépios

e montras a outras glórias nacionais
(ainda que internacionais)

e muita, mas mesmo muita gente nas ruas

qual Times Square ou Rambla nos seus dias mais loucos!

Espantos #276

Em geral, nos presépios vemos: Maria a rezar ou a segurar no Menino; o Menino a dormir ou a rir; José a rezar ou a olhar; os reis a andar ou a olhar; as vacas e os burros a olhar; e os anjos a dançar. Numa montra de Madrid vi muitos presépios.



Mais, ou menos tradicionais.






Mais, ou menos modernos.





Mas decerto para todos os gostos!

¡Feliz Navidad!

Pormenores #60

When the cars were waiting for the green light,

the juggler performed on the crosswalk... in Madrid.

Palavras lidas #154

Anunciação, Beato Angelico (1395-1455)
(fresco da cela 3 do Convento de São Marcos em Florença)

Então chamou um arcanjo,
que S. Gabriel se dizia,
e enviou-o a uma donzela
que se chamava Maria,
de cujo consentimento
o mistério se fazia;
e no qual a Trindade
de carne o Verbo vestia.
E sendo de três a obra
somente em um se fazia,
ficou o Verbo encarnado
no ventre de Maria.
E o que tem apenas um Pai
já Mãe também possuía,
porém não como qualquer
que de varão concebia;
porque das entranhas dela
ele carne recebia;
pelo qual, Filho de Deus
e do homem se dizia.

S. João da Cruz (1542-1591)
Poesias Completas

Pormenores #59

Na bolsa de Madrid...

15 dezembro, 2010

Caprichos #149

Simple recipes: pasta (farfalle), butter, parmesan, and nutmeg... delicious!

14 dezembro, 2010

Espantos #275

An adorable sleeping baby...

12 dezembro, 2010

Coisas que não mudam #141

Barcelona, vista do avião, ao entardecer.

08 dezembro, 2010

Foi neste dia #139 (1930)

Há oitenta anos morreu aquela que falou mais alto...

Mais Alto


Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

Florbela Espanca

07 dezembro, 2010

Numa sala perto de mim #135

Copie conforme/Certified copy (2010) de Abbas Kiarostami, não tem muita história mas faz reflectir. Lembrou-me Bergman, só que aqui aquilo que parece ser um casamento, na verdade não é, embora o pudesse ser. O filme vale pelo argumento, adicionado de lindas paisagens da Toscânia.

06 dezembro, 2010

04 dezembro, 2010

Foi neste dia # 138 (em 1980)


Que se despenhou em Camarate um avião que levava a bordo o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa.

Trinta anos passados continua o mistério da cara do assassino e o país cora de vergonha com tanta incompetência.

03 dezembro, 2010

Parece que estou a ouvir #107

É Doce Morrer no Mar
Cesária Évora & Marisa Monte
Letra: Jorge Amado

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

A noite que ele não veio foi
foi de tristeza para mim
saveiro voltou sozinho
triste noite foi para mim

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

Saveiro partiu de noite e foi
madrugada não voltou
o marinheiro bonito
sereia do mar levou

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

nas ondas verdes do mar meu bem
ele se foi afogar
fez sua cama de noivo
no colo de Iemanjá

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

02 dezembro, 2010

Coisas que não mudam #140


Languages decline fast if not used... but this gives rise to funny episodes. Here's an excerpt of a chat I had with my Spanish friend, from Granada, Andalusia:

[9:15:53 PM] yo: sabes que me acordé de ti ayer
[9:16:08 PM] ella: por que
[9:16:15 PM] yo: fui ver la pelicula José y Pilar (que habla de Saramago y su mujer Pilar del Río) me gustó la pelicula, pero me pareció que el sotaque de Pilar es igual que tuyo. Puedo estar equivocada pero...
[9:16:47 PM] ella: ah, que bien. Ella es de Granada
[9:17:02 PM] yo: ahh! Entonces es verdad! Es que decia Lisvoa como tu :D
[9:17:11 PM] ella: que es el sotaquue?
[9:17:22 PM] yo: perdona no es sotaque, sotaque es portugues... pronuncia
[9:17:52 PM] ella: no sé que significa
[9:18:11 PM] yo: perdona que no me encontro la palabra exacta... acento
[9:18:15 PM] yo: acento es español :)
[9:18:29 PM] ella: ah, por lo de andaluza y granadina. muy observadara tu!

Retirado do contexto #118

Commuting time before: 1h30m
Commuting time after: 15m
Marginal rate of substitution: 1/6
Price: book chapters not read

01 dezembro, 2010

Numa sala perto de mim #134


José e Pilar (2010) chegou às salas no ano em que morreu Saramago. Nunca achei que Saramago dissesse algo de totalmente inovador, mas a maneira de expor o seu eterno descontentamento era de facto única. Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar... é a frase que fica.

Lembro-me da única vez que vi e ouvi Saramago numa palestra que deu na Universidade de Nova Iorque. Na altura, recém-chegada aos EUA, escrevi aos meus amigos em Portugal a contar o feito... segue a crónica velha de dez anos.
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On Fri, Oct 27, 2000 at 7:32 PM, CR wrote:

----Original Message Follows----
From:
To:
Subject: JOSÉ SARAMAGO
Date: Mon, 23 Oct 2000 16:10:03 -0700

The Department of Spanish and Portuguese (NYU), the Institute Camões, The king Juan Carlos I Center, and Harcourt Brace would like to invite you to a talk by Portuguese writer and 1998 Nobel Prize winning JOSÉ SARAMAGO. It will be held on Thursday, October 26, 2000, at the King Juan Carlos I Center (NYU), 53 Washington Square South, from 2:00 pm to 3:00 pm.
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Foi esta a mensagem que recebi há dias a anunciar a palestra que o José Saramago iria dar ontem na NYU (mas já sabia primeiro, gracas ao teu mail Maria José)... depois de muito considerar, uma vez que se sobrepunha com a minha aula da tarde das 2 as 4, lá fui... "logo falo com o professor" pensei.

Foram 45 minutos a ouvir um homem de 78 anos, que apesar de nada dizer de espectacularmente novo, expõe as suas preocupações (os problemas que lhe "atormentam o pensamento", como ele próprio disse) de uma forma tão indignada, que nos faz olhar a realidade de outra forma.

Falou dos seus últimos três livros: Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes e A Caverna (este último acabado de escrever há um mês, só será lançado em Portugal e nos países lusofonos em Novembro), nos quais se começou a preocupar mais com a "pedra" e não com a sua superfície (a "estátua"), como até então tinha feito em todos os seus livros.

Afirmou que toda a humanidade vivia numa completa cegueira... uma humanidade que tinha escrito A Divina Comédia e cometido atrocidades em Aushwitz... uma humanidade que gasta milhões em produtos de higiene pessoal e que vive nas cidades mais sujas, sem sequer se dar conta do lixo quando sai à rua. O homem que diz de si próprio ser um ser racional, e o único ser cruel a face da terra, sendo inclusivamente capaz de cometer atrocidades contra o seu próprio semelhante.

"O mundo é um espectaculo de crueldade infinita"... é mais facil chegar a Marte com uma máquina que irá estudar as características das pedras daquele planeta ("como se isso me interessasse para alguma coisa"), do que matar a fome no mundo... "como é possível morrer-se de fome num mundo que produz mais que o suficiente para todos os seus habitantes?", "pode morrer-se de câncro, tifo, mas fome? Esta é a morte mais indigna que pode existir!".

Falou ainda sobre a sua teoria de criação do universo: "não faz sentido que Deus nos tenha criado para nos colocar num remoto e insignificante planeta de uma remota e insignificante galáxia... por isso, penso que Deus criou o universo para nós, onde habitávamos inicialmente em toda a sua extensão... mas Deus, ao ver o que estávamos a fazer disse: ‘deixa-me livrar desta gente’... e colocou-nos neste pequeno planeta para deixarmos o restante universo limpo e puro". Por isso, a humanidade é um projecto em "lento progresso, ou em constante retrocesso".

Vivemos numa sociedade em que as Universidades e a Escola se demitiram do papel de formação dos individuos, assentando a sociedade em três pilares básicos: shopping centers (as catedrais do nosso tempo, e não as Universidades), discotecas e estádios desportivos. É como se a Alegoria da Caverna escrita há 2400 anos atrás, previsse precisamente a sociedade em que hoje vivemos, num mundo de sombras que julgamos ser o real. "Ou mudamos a vida, ou não mudaremos de vida"...

Desculpem se vos dei uma seca de morte, sei que alguns não apreciam José Saramago, e outros talvez não conheçam a sua obra... mas gostei de partilhar estas ideias com vocês. Sei que assististe, Maria José, mas agora estás incluida na minha lista de mails colectivos... nada a fazer!

Fiquem bem. Beijinhos,

CR

(Não me esqueci do tal mail do Basebol e do Bowling... brevemente num computador perto de si!!)