19 dezembro, 2010

Espantos #276

Em geral, nos presépios vemos: Maria a rezar ou a segurar no Menino; o Menino a dormir ou a rir; José a rezar ou a olhar; os reis a andar ou a olhar; as vacas e os burros a olhar; e os anjos a dançar. Numa montra de Madrid vi muitos presépios.



Mais, ou menos tradicionais.






Mais, ou menos modernos.





Mas decerto para todos os gostos!

¡Feliz Navidad!

Pormenores #60

When the cars were waiting for the green light,

the juggler performed on the crosswalk... in Madrid.

Palavras lidas #154

Anunciação, Beato Angelico (1395-1455)
(fresco da cela 3 do Convento de São Marcos em Florença)

Então chamou um arcanjo,
que S. Gabriel se dizia,
e enviou-o a uma donzela
que se chamava Maria,
de cujo consentimento
o mistério se fazia;
e no qual a Trindade
de carne o Verbo vestia.
E sendo de três a obra
somente em um se fazia,
ficou o Verbo encarnado
no ventre de Maria.
E o que tem apenas um Pai
já Mãe também possuía,
porém não como qualquer
que de varão concebia;
porque das entranhas dela
ele carne recebia;
pelo qual, Filho de Deus
e do homem se dizia.

S. João da Cruz (1542-1591)
Poesias Completas

Pormenores #59

Na bolsa de Madrid...

15 dezembro, 2010

Caprichos #149

Simple recipes: pasta (farfalle), butter, parmesan, and nutmeg... delicious!

14 dezembro, 2010

Espantos #275

An adorable sleeping baby...

12 dezembro, 2010

Coisas que não mudam #141

Barcelona, vista do avião, ao entardecer.

08 dezembro, 2010

Foi neste dia #139 (1930)

Há oitenta anos morreu aquela que falou mais alto...

Mais Alto


Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

Florbela Espanca

07 dezembro, 2010

Numa sala perto de mim #135

Copie conforme/Certified copy (2010) de Abbas Kiarostami, não tem muita história mas faz reflectir. Lembrou-me Bergman, só que aqui aquilo que parece ser um casamento, na verdade não é, embora o pudesse ser. O filme vale pelo argumento, adicionado de lindas paisagens da Toscânia.

06 dezembro, 2010

04 dezembro, 2010

Foi neste dia # 138 (em 1980)


Que se despenhou em Camarate um avião que levava a bordo o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa.

Trinta anos passados continua o mistério da cara do assassino e o país cora de vergonha com tanta incompetência.

03 dezembro, 2010

Parece que estou a ouvir #107

É Doce Morrer no Mar
Cesária Évora & Marisa Monte
Letra: Jorge Amado

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

A noite que ele não veio foi
foi de tristeza para mim
saveiro voltou sozinho
triste noite foi para mim

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

Saveiro partiu de noite e foi
madrugada não voltou
o marinheiro bonito
sereia do mar levou

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

nas ondas verdes do mar meu bem
ele se foi afogar
fez sua cama de noivo
no colo de Iemanjá

É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar(2x)

02 dezembro, 2010

Coisas que não mudam #140


Languages decline fast if not used... but this gives rise to funny episodes. Here's an excerpt of a chat I had with my Spanish friend, from Granada, Andalusia:

[9:15:53 PM] yo: sabes que me acordé de ti ayer
[9:16:08 PM] ella: por que
[9:16:15 PM] yo: fui ver la pelicula José y Pilar (que habla de Saramago y su mujer Pilar del Río) me gustó la pelicula, pero me pareció que el sotaque de Pilar es igual que tuyo. Puedo estar equivocada pero...
[9:16:47 PM] ella: ah, que bien. Ella es de Granada
[9:17:02 PM] yo: ahh! Entonces es verdad! Es que decia Lisvoa como tu :D
[9:17:11 PM] ella: que es el sotaquue?
[9:17:22 PM] yo: perdona no es sotaque, sotaque es portugues... pronuncia
[9:17:52 PM] ella: no sé que significa
[9:18:11 PM] yo: perdona que no me encontro la palabra exacta... acento
[9:18:15 PM] yo: acento es español :)
[9:18:29 PM] ella: ah, por lo de andaluza y granadina. muy observadara tu!

Retirado do contexto #118

Commuting time before: 1h30m
Commuting time after: 15m
Marginal rate of substitution: 1/6
Price: book chapters not read

01 dezembro, 2010

Numa sala perto de mim #134


José e Pilar (2010) chegou às salas no ano em que morreu Saramago. Nunca achei que Saramago dissesse algo de totalmente inovador, mas a maneira de expor o seu eterno descontentamento era de facto única. Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar... é a frase que fica.

Lembro-me da única vez que vi e ouvi Saramago numa palestra que deu na Universidade de Nova Iorque. Na altura, recém-chegada aos EUA, escrevi aos meus amigos em Portugal a contar o feito... segue a crónica velha de dez anos.
________________

On Fri, Oct 27, 2000 at 7:32 PM, CR wrote:

----Original Message Follows----
From:
To:
Subject: JOSÉ SARAMAGO
Date: Mon, 23 Oct 2000 16:10:03 -0700

The Department of Spanish and Portuguese (NYU), the Institute Camões, The king Juan Carlos I Center, and Harcourt Brace would like to invite you to a talk by Portuguese writer and 1998 Nobel Prize winning JOSÉ SARAMAGO. It will be held on Thursday, October 26, 2000, at the King Juan Carlos I Center (NYU), 53 Washington Square South, from 2:00 pm to 3:00 pm.
______________________________________

Foi esta a mensagem que recebi há dias a anunciar a palestra que o José Saramago iria dar ontem na NYU (mas já sabia primeiro, gracas ao teu mail Maria José)... depois de muito considerar, uma vez que se sobrepunha com a minha aula da tarde das 2 as 4, lá fui... "logo falo com o professor" pensei.

Foram 45 minutos a ouvir um homem de 78 anos, que apesar de nada dizer de espectacularmente novo, expõe as suas preocupações (os problemas que lhe "atormentam o pensamento", como ele próprio disse) de uma forma tão indignada, que nos faz olhar a realidade de outra forma.

Falou dos seus últimos três livros: Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes e A Caverna (este último acabado de escrever há um mês, só será lançado em Portugal e nos países lusofonos em Novembro), nos quais se começou a preocupar mais com a "pedra" e não com a sua superfície (a "estátua"), como até então tinha feito em todos os seus livros.

Afirmou que toda a humanidade vivia numa completa cegueira... uma humanidade que tinha escrito A Divina Comédia e cometido atrocidades em Aushwitz... uma humanidade que gasta milhões em produtos de higiene pessoal e que vive nas cidades mais sujas, sem sequer se dar conta do lixo quando sai à rua. O homem que diz de si próprio ser um ser racional, e o único ser cruel a face da terra, sendo inclusivamente capaz de cometer atrocidades contra o seu próprio semelhante.

"O mundo é um espectaculo de crueldade infinita"... é mais facil chegar a Marte com uma máquina que irá estudar as características das pedras daquele planeta ("como se isso me interessasse para alguma coisa"), do que matar a fome no mundo... "como é possível morrer-se de fome num mundo que produz mais que o suficiente para todos os seus habitantes?", "pode morrer-se de câncro, tifo, mas fome? Esta é a morte mais indigna que pode existir!".

Falou ainda sobre a sua teoria de criação do universo: "não faz sentido que Deus nos tenha criado para nos colocar num remoto e insignificante planeta de uma remota e insignificante galáxia... por isso, penso que Deus criou o universo para nós, onde habitávamos inicialmente em toda a sua extensão... mas Deus, ao ver o que estávamos a fazer disse: ‘deixa-me livrar desta gente’... e colocou-nos neste pequeno planeta para deixarmos o restante universo limpo e puro". Por isso, a humanidade é um projecto em "lento progresso, ou em constante retrocesso".

Vivemos numa sociedade em que as Universidades e a Escola se demitiram do papel de formação dos individuos, assentando a sociedade em três pilares básicos: shopping centers (as catedrais do nosso tempo, e não as Universidades), discotecas e estádios desportivos. É como se a Alegoria da Caverna escrita há 2400 anos atrás, previsse precisamente a sociedade em que hoje vivemos, num mundo de sombras que julgamos ser o real. "Ou mudamos a vida, ou não mudaremos de vida"...

Desculpem se vos dei uma seca de morte, sei que alguns não apreciam José Saramago, e outros talvez não conheçam a sua obra... mas gostei de partilhar estas ideias com vocês. Sei que assististe, Maria José, mas agora estás incluida na minha lista de mails colectivos... nada a fazer!

Fiquem bem. Beijinhos,

CR

(Não me esqueci do tal mail do Basebol e do Bowling... brevemente num computador perto de si!!)

30 novembro, 2010

Ditto #166

Of all forms of caution, caution in love is perhaps the most fatal to true happiness.

--Bertrand Russell

Foi neste dia #137 (1935)


Pessoa morre aos 47 anos em Lisboa no hospital de São Luís dos Franceses às 15.20. A última frase que escreveu na sua segunda língua nativa (e na qual foi educado): I know not what tomorrow will bring (não sei o que trará o amanhã).

27 novembro, 2010

Retirado do contexto #117

It's great to be computerized again... and fast!

22 novembro, 2010

Espantos #274

Areia negra (sem reflexos) @Seixal, Madeira

21 novembro, 2010