06 setembro, 2010

Acto de ler

Jillian Tamaki

O acto de ler reabre feridas. Nos livros

em que isso acontece, com frequência,

poderia ao menos haver um aviso na capa;

assim como se faz com as carteiras de tabaco,

embora se saiba que poucos deixam

de fumar

por isso.

Teresa M. G. Jardim, «Jogos Radicais»

No Times de hoje #120

O Times traz hoje um artigo sobre uma peculiar tradição de Madagascar que dá pelo nome de Famadihana. Cada cinco ou sete anos há uma festa familliar com muitos convidados (como num casamento) em que o objectivo é recordar e celebrar os familiares já falecidos.

Aquilo que em muitos países se resume a uma visita ao cemitério para depositar um ramo de flores junto daqueles que já não vivem, toma em Madagascar outras proporções. Contratam-se bandas de música, convidam-se familiares e amigos a quem se oferecem refeições, compram-se roupas novas, desenterram-se os mortos, dança-se com eles, fala-se deles às gerações mais novas, e voltam-se a colocar os corpos nos túmulos depois de limpos.

São tradições longínquas que podem fazer arquear as nossas sobrancelhas, mas revelam diferentes maneiras de lidar com os mortos e com a sua memória. As nossas próprias tradições só são as certas para nós por serem nossas, por termos crescido com elas e por a elas nos termos habituado. As de Madagáscar definitivamente criam ligações mais fortes entre as várias gerações. Tudo em ambiente de festa.

03 setembro, 2010

Retirado do contexto # 113

"Qual é a diferença entre sentença e acórdão?"

Foi a pergunta da minha mãe às 08.30hs da manhã, no dia em que o país debita, como se perito fosse, lições de direito.

Foi neste dia #136 (1630)

Faz hoje 380 anos que entrou em erupção o vulcão das Furnas em São Miguel nos Açores. Hoje nas Furnas há fumarolas e águas fervilhantes, mas o que aconteceu em 1630 deve ter assustado... ficam excertos do artigo que marca o acontecimento.

(...)

A erupção gerou uma nuvem que tapou o Sol durante três dias e cobriu a ilha com uma camada de cinzas que chegou a atingir 1,5 metros de espessura, tendo terminado apenas a 2 de Novembro, ao fim de 61 dias.

(...)

Cerca das 02:00 de 3 de Setembro ocorreu uma erupção cujo ruído era tão intenso que se ouvia na ilha Terceira, a cerca de 200 quilómetros, onde a população chegou a pensar que era “uma batalha entre duas armadas poderosas”.

(...)

Nas Flores, a cerca de 600 quilómetros, “não ficou folha de árvore, nem planta” que não estivesse coberta pelas cinzas.

(...)

Os estudos indicam que, nos últimos 5000 anos, ocorreram cerca de uma dezena de erupções no Vulcão das Furnas, a maior das quais há cerca de 1900 anos.

02 setembro, 2010

Español #11

Em Espanhol a palavra pegar, não significa segurar, agarrar ou buscar, mas antes bater em alguém, em princípio com violência.

Assim, é fácil de entender a cara de espanto/confusão das pessoas quando um Português/Brasileiro tenta comunicar coisas tão simples como:

- venho pegar a chave
- que bebé tão lindo, posso pegar-lhe?

Caprichos #141

Quadrilita blue

Espantos #266


Nas coisas mais improváveis de se encontrar em aeroportos, Singapura bate o record com salas de cinema, piscina e jardim de borboletas. A adicionar à lista foi recentemente aberto um escorrega gigante a fazer lembrar os de uma exposição passada na TATE Gallery em Londres.

31 agosto, 2010

Parece que estou a ouvir #105

Fragile
Sting

If blood will flow when flesh and steel are one
Drying in the colour of the evening sun
Tomorrow's rain will wash the stains away
But something in our minds will always stay
Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetime's argument
That nothing comes from violence and nothing ever could
For all those born beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are

How fragile we are how fragile we are

28 agosto, 2010

Espantos #265

Os gatos têm o que querem...

Acorda!

Não ouves?!

Mas o que é que foi?

Não me apetece...

Acorda, já disse!

Mas porque é que tu és assim??

Acorda lááááá, tens de ver...

Tás a ver?

Sim, e depois?

E depois??! Olha lááá...

Deixa-me...

26 agosto, 2010

No Times de hoje #119

Can Preschoolers Be Depressed? é o artigo que hoje vem no New York Times e que alarma qualquer um. Há crianças que são diagnosticadas com depressão antes de entrarem para a escola. Com crianças, por definição ainda em fase de formação de carácter e preferências, custa ainda mais a acreditar que tal possa acontecer, mas os casos relatados não são triviais. Há 20 ou 30 anos não existiam muitas daquelas que são hoje consideradas doenças da mente e há o grande lobby dos medicamentos a considerar. No entanto sempre houve pessoas deprimidas, mesmo antes destas doenças serem consideradas como tal. O facto de haver crianças com tendências depressivas dá que pensar... adultos poderão ter sido expostos a situações externas que causaram depressão, mas crianças de 2 ou 3 anos sem experiências traumáticas?! Nesta idade de exploração do genoma humano, resta saber quanto do ser humano é pré-determinado e quanto é escolhido por cada um.
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Não no New York Times, mas na imprensa internacional e espanhola vem a notícia da descoberta de uma vala comum perto de Burgos que remonta aos tempos da guerra civil espanhola, como tantas que haverá por essa Espanha. É um país de contrastes. Por um lado há que sarar a ferida das famílias dos milhares de desaparecidos durante a guerra civil e anos seguintes às mãos da ditadura franquista, daí a aprovação da lei da memória histórica para não esquecer a negra página da história. Por outro lado, a rápida transição da ditadura para a democracia de 1978 a 1980 só foi possível com a aprovação da lei da amnistia que efectivamente coloca uma pedra sobre o passado, impedindo qualquer investigação sobre os crimes cometidos durante os 42 anos da história do país.

25 agosto, 2010

No Times de hoje #118

Mozart morreu há mais de duzentos anos em Viena, mas ainda hoje se publicam estudos em jornais académicos que investigam as possíveis causas da morte do compositor. A causa oficial declarada nos registos do arquivo da catedral de Santo Estefano em Viena foi febre dermatoide, ou seja eczema. Ora esta causa nunca foi tida por convincente, começando a especular-se publicamente sobre as possíveis alternativas cerca de um mês depois da morte de Mozart em 5 de Dezembro de 1791. Dois séculos depois já não se pretende apurar responsabilidades (até porque a tese do envenenamento foi há muito abandonada), mas tão só averiguar as verdadeiras causas de factos passados, tantas vezes mal explicados nas páginas da história. O recente artigo académico (no jornal Medical Problems of Performing Artists) organiza as várias teorias da morte de Mozart aventadas ao longo dos anos e conclui que a controvérsia irá continuar, uma vez que existem 118 causas plausíveis. Como exercício académico é um trabalho de notável investigação arquivística. No entanto, dado que o corpo foi sepultado em vala comum (como era costume para a classe média de Viena da altura), é também um trabalho inglório visto que a solução do enigma permanecerá para sempre incógnita. E com isto penso na validade de tanta investigação académica, toda ela com interesse e propósito, mas muitas vezes sem aplicação.
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Nova Iorque vota este mês uma proposta de um arranha céus da altura do Empire State Building e não muito longe deste. A apenas dois blocos na 33rd com a Sétima Avenida, o novo prédio (o tal do Vornado building) irá ocultar o Empire do skyline de Manhattan quando visto a partir de New Jersey. Apesar dos cuidados e exageros americanos nestas circunstâncias, não deixa de ser curioso o facto de vir a proposta a construção de um arranha-céus gigantesco em altura de crise imobiliária e quem sabe da maior crise desde a grande depressão. Foi também durante aquela altura que o Empire State foi construído.

Coisas que não mudam #134

Mais uma vez a Sagres. Já saíu de Xangai e segue em direcção a Díli. Desta crónica ficou-me esta passagem:

"O Governo Municipal solicitou três alterações de hábitos aos habitantes para o período da Expo: Não deitar beatas para a rua, não andar de tronco nu na rua e não sair à rua de pijama. Este último é um hábito dos mais idosos que serve para demonstrar que se pertence ao bairro e para não se ser enganado pelos comerciantes."

:-)

Conselhos úteis #10

Visitar a exposição Viajar sobre o turismo na primeira republica. No torreão nascente do Terreiro do Paço até 6 de Outubro.

24 agosto, 2010

Espantos #264

Changing classrooms in college... in one word: technology.

23 agosto, 2010

22 agosto, 2010

Parece que estou a ouvir #104

O Grito, Edvard Munch

Grito
Polo Norte

Há alturas na vida
Em que se sente o pior
Como que uma saída
Refúgio na dor

E ao olhar para trás
Pensar no que aconteceu
O que se vê não apraz
Não gritou mas escondeu

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a coragem de gritar e gritar

E é nestas alturas
Sou eu mesmo que o digo
Repensamos na falta
Que nos faz um amigo

Alguém que nos mostre a luz
E nos estenda essa mão
Diga que a vida não é cruz
Olhar para trás pedir perdão

E salta a fúria em nós
Rebenta o ser mais calado
Querer puxar pela voz
Mostrar que está revoltado

À espera o tempo a passar
A desesperar
Ganhar a a coragem de gritar e gritar

20 agosto, 2010

Ditto #159

The very purpose of existence is to reconcile the glowing opinion we have of ourselves with the appalling things that other people think about us.

--Quentin Crisp

18 agosto, 2010

Espantos #262

Hazel Soares licenciou-se em História da Arte pelo Mills College em Oakland, CA. Tem 94 anos!